Acredito que cá no DB tem gente muito melhor do que eu que poderia explicar isto, mas na ausência de quem o queira fazer, tento eu mesmo.Túlio escreveu: Dom Abr 25, 2021 2:10 pmE eu repito, mesmo sabendo que nunca irão me responder ou quem o fizer terá que deixar de lado a lógica mais básica: para que nos serviria este tipo de meio? Onde iremos projetar poder aeronaval, e para quê?
Vives citando a END, cuja letra "D" significa Defesa: a gente se defende como e contra o que com um NAe ou dois (máximo) de pequeno porte? Se é para atacar então a sigla está errada, deveria ser ENA, não?
Além disso, um navio que "dizem que" custa "apenas" USD 2 B não pode navegar sozinho, aliás este valor é pouco maior do que um só Destróier que o UK usa para proteger seu(s) NAe(s) ou Fragata que a França usa para proteger o que tem, e são vários(as); botar os EUA na equação é pedir pra passar vergonha e fora disso sobra quem? A Rússia vai atravessar meio mundo (sem bases de apoio) pra vir dar tirinho aqui? Ou a China? Caso o façam, a USN fica só olhando?
PUTZ...![]()
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Resumindo: controle de área marítima e projeção de poder sobre terra. São duas das quatro tarefas do poder naval. Indiferente de qual seja a marinha. Isso é teoria da guerra naval que todo oficial aprende na academia. Pode ser feita com meios diferentes e de acordo com a realidade, e necessidade, de cada força naval. No caso brasileiro, temos o Atlântico Sul, a costa ocidental africana, e agora o mar do caribe e a costa ocidental sul americana (Pacífico) como áreas de interesse geoestratégico e geopolítico no que diz respeito a questões do poder naval brasileiro. Isto inclui questões econômicas inter-estatais enquanto comércio, indústria, transporte e militar. Atuar nestas áreas definidas no PEM 2040 é essencial para a defesa dos nossos interesses, de forma a assegurar que outros atores extra-regionais não venham impor livremente suas agendas em nosso entorno estratégico. E isso não significa peitar ninguém de forma agressiva, mas deixar claro que temos agenda de interesses próprios e meios críveis para defendê-los, inclusive por via militar se necessário. Estar presente de forma concreta nos espaços onde os interesses políticos, econômicos, diplomáticos e militares brasileiros estejam em jogo é uma forma de não permitir livremente que soluções prejudiciais ao Estado brasileiro sejam tomadas. Do ponto de vista da diplomacia naval isto se faz com uma FT nucleada em Nae ou simplemente com um NaPaOc, a depender de cada caso.para que nos serviria este tipo de meio? Onde iremos projetar poder aeronaval, e para quê?
Eu cito a END por motivo óbvio. É o documento norteador do planejamento militar nacional. É ela que define, junto com a PND, o que as forças armadas devem ser e do quê elas sejam capazes. E qual os princípios básicos pelos quais elas devem estar preparadas e se preparar. E Defesa não significa passividade. Nos defender não quer dizer que não venhamos a apor ações ofensivas em qualquer momento. O cerne da Defesa no Brasil é do ponto de vista Político essencialmente defensivo, ou seja, o país não tem pretensões e não vai atacar ninguém por si mesmo, a não ser que seja para se defender. Neste aspecto, um Nae e sua força tarefa podem ser usados para exercer aquelas duas missões que citei acima, de forma que seu uso irá variar na forma e no conteúdo de acordo com o oponente do outro lado e a amplitude do TO e dos meios engajados. É sempre bom lembrar que não se está pensando em Nae tendo a US Navy como inimiga primária. Isso é loucura. No caso hipotético americano como oponente, a única solução possível são os subnuc, que deveríamos ter em quantidade e qualidade suficiente para criar dissuasão crível no Atlântico Sul e nas demais regiões de interesse conforme citas no plano estratégico da marinha. Para outros atores que não uma superpotência, um Nae e sua FT serão sempre um fator dissuasivo muito grande. Mas como bem colocado por ti, eles nunca agem sozinhos. É preciso ter uma esquadra para lhes fazer jus. E neste mister, ter uma esquadra equilibrada sempre foi um objetivo da administração naval. 0 navio que ilustrei, tem 304 metros de comprimento, 78 da boca e 44 mil ton deslocamento carregado, e tem capacidade para levar 45 aeronaves entre asa fixa e rotativas. O GAE pode até ser maior se lançarmos mão do uso de estacionamento no convés de voo para mais aeronaves, Prática mais que conhecida e utilizada por todos os países que possuem Nae. Mas para a realidade do nosso entorno estratégico, aquele número é mais que suficiente para lidar com todos os demais países componentes do nosso entorno, e até com eventuais intrusões de potências médias na região.Vives citando a END, cuja letra "D" significa Defesa: a gente se defende como e contra o que com um NAe ou dois (máximo) de pequeno porte? Se é para atacar então a sigla está errada, deveria ser ENA, não?
Temos que ver as coisas pelo prisma dos interesses brasileiros no mar a nossa frente e não de outrem. Em todo caso, temos de dispor de uma esquadra que seja capaz de ser uma força naval com dissuasão crível, de forma a mostrar que somos capazes de defender de fato nossos interesses no mar e no entorno estratégico definido. Isso se faz com uma esquadra equilibrada em termos de meios navais, aéreos e submarinos. Neste sentido, desde patrulhas a Nae, passando por fragatas e navios multipropósito temos uma grande necessidade de possuir meios diversos no sentido de cobrir de forma eficaz, senão eficiente, todas as 4 missões do poder naval em depender de soluções de continuidade. Ou de oportunidade. Concordo que um Nae sem navios de escolta é algo inútil, tanto quanto navios de escolta sem um Nae ou multipropóito são de valia discutível e limitada.botar os EUA na equação é pedir pra passar vergonha e fora disso sobra quem? A Rússia vai atravessar meio mundo (sem bases de apoio) pra vir dar tirinho aqui? Ou a China? Caso o façam, a USN fica só olhando?
Sabes bem a minha opinião sobre a necessidade de uma guarda costeira no Brasil. Isto fosse resolvido, a marinha poderia se concentrar em tentar ser o que ela diz de si mesma, que é ser uma marinha de águas azuis. E com muito menos gente para cuidar e muito menos meios para pagar as contas. Mas sabem também que o nosso histórico em defesa corrobora o receio do almirantado no sentido de que uma guarda costeira acabe deixando a MB pior ainda do que já está.
Por fim, temos que levar em conta que um Nae não é apenas um meio de projeção de poder, mas sobretudo de dissuasão. Ele tem "mil e uma utilidades" em tempos de paz e na guerra pode ser um fator decisivo a nosso favor.
Apenas os USA tem hoje capacidade de projetar forças de Nae pelo mundo todo. A China excepcionalmente terá tal capacidade em mais 10/15 anos. Mas a zona de interesse chinês está mais voltada para o pacífico e índico do que o Atlântico Sul. Britânicos e franceses podem até deslocar seus Nae por aqui mas dificilmente o farão em operações de guerra sem o aval, e quiçá a cobertura, da US Navy.
Quanto a nós, termos uma marinha capaz de operar Nae, fragatas/destróires e subnuc em quantidade e qualidade adequadas à nossa realidade e entorno estratégico nada mais é do que fazer o nosso dever de casa diplomático, político e militar como convém a Estados que primam por sua segurança e interesses no mundo, e para além do coronelismo barato e tosco da nossa classe política.
O primeiro PAEMB deu o tom do que a marinha precisaria para dispor das capacidades reais que a lei (CF'88) a obriga a cumprir em termos de defesa naval. Podem dizer que ilusório, que é uma quimera ou simplesmente falta do que fazer, mas o país tem que oferecer alguma coisa para a marinha poder fazer seu trabalho. Ficar do jeito que está, independente de se ter ou não um Nae na esquadra é melhor fechar tudo e passar os meios navios de patrulha para as prefeituras e governos estaduais ao longo do litoral e cada um que se vire.