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Re: tanques e blindados

Enviado: Qui Ago 27, 2015 4:20 pm
por Hermes
Penso isso também. O Puma já é um veículo desenvolvido, portanto existente, ao contrário do Leo 3. Justamente as tecnologias que o EB busca seriam as necessárias para transformá-lo em Carro de Combate. Propulsão (ele já tem um dos motores mais potentes da categoria), blindagem, que teria de ser reforçada em determinados pontos; armamento, que seria adaptar uma torre com canhão e comunicações, que a meu ver engloba também toda a parte eletrônica do veículo.

Re: tanques e blindados

Enviado: Qui Ago 27, 2015 6:44 pm
por Marechal-do-ar
irlan escreveu:Meu ponto é...essa recarga automática não corre algum risco de falha?
Tirando os Panther e Tiger da 2GM o principal motivo de falhas entre MBTs que entraram em combate é o fogo inimigo.
joabraga13 escreveu:O Puma possui uma blindagem anti-minas superior ao Leopard 2
O Puma possui uma blindagem anti-minas superior principalmente por ser mais novo, o problema está na blindagem anti-HEAT e blindagem anti-APFDS, até onde sei, mesmo com blindagem adicional o Puma não resiste nem a calibres mais antigos, seria uma grande desvantagem para um MBT.


Mas... Não sei o que o EB pensa, de tempos em tempos sempre aparece alguém com a ideia de "tanques adaptados", não vejo esse tipo de ideia muito popular entre oficiais da cavalaria, pelo prazo e peso me parece mais um Leo 3 do que um Puma tunado.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 12:19 am
por Hermes
Mais uma coisa que o Puma tem que possa ser um atrativo para o EB: motor frontal.
Com isso sobra espaço para se desenvolver toda uma família de veículos que seriam difíceis de produzir a partir de um CC com motor traseiro.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 12:28 am
por Marechal-do-ar
Com o Armata os russos tem uma família de blindados, o MBT com motor traseiro e o IFV com motor frontal, no caso deles foi só girar o chassi...

Não sei até que ponto vale a pena reaproveitar o chassi e a disposição interna dos componentes, é possível um grande ganho logístico utilizando na família inteira as mesmas peças (mesmo motor, mesma transmissão, etc) como os russos mostraram que é possível, mas o chassi? Realmente tem tanta vantagem assim usar o mesmo chassi?

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 1:09 am
por Hermes
A não ser que fôssemos produzir uma grande quantidade de um MBT de verdade e dedicado com outro chassis, o que parece não ser o desejo do EB, haveriam vantagens substanciais em não se utilizar o mesmo chassis numa família de veículos com o CC beirando 50tons e desenvolvido a partir de um veículo já existente? Para mim as falas dos generais expostas acima levam ao Puma e não ao Léo 3.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 8:38 am
por LeandroGCard
Marechal-do-ar escreveu:Com o Armata os russos tem uma família de blindados, o MBT com motor traseiro e o IFV com motor frontal, no caso deles foi só girar o chassi...
Se adotado o sistema de propulsão mais atual, com acoplamento elétrico, pode-se instalar os motores onde se quiser em qualquer chassi.
Não sei até que ponto vale a pena reaproveitar o chassi e a disposição interna dos componentes, é possível um grande ganho logístico utilizando na família inteira as mesmas peças (mesmo motor, mesma transmissão, etc) como os russos mostraram que é possível, mas o chassi? Realmente tem tanta vantagem assim usar o mesmo chassi?
De fato, se é para economizar e facilitar a logística deve-se padronizar os componentes. Para isso o chassi influencia muito pouco.


Leandro G. Card

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 12:36 pm
por FCarvalho
Um dado que penso é importante lembrar nesta discussão de família de para um novo CC, é que hoje o EB possui 4 RCC e 4 RCB. Em uma simples conta de padaria, isso significa, em termos oficiais, uma demanda para cerca de 344 CC's em linha. Ora, adicione-se a este número, por exemplo, uns 20% a mais para as escolas e centros de formação, e temos um total de 413 bldos sob demanda. Ponto.

Este número daqui a 15/20 anos como argumenta o EB será suficiente para abrir-se uma linha de produção para um CC no Brasil? Seria economicamente viável, industrial e tecnologicamente argumentativo e, principalmente, politicamente defensável? Na verdade, a pergunta mais importante é: como será a cavalaria blda do EB daqui a vinte anos? Haverá cav blda no EB tal como a conhecemos hoje?

Ademais, em termos de família, pressume-se que mesmo não adotado o mesmo chassi básico para um VBTP-SL, ainda assim haveria a possibilidade de desenvolver-se ao menos umas 5/6 versões de uso para este chassi a partir do veículo base. O EB pensou a mesma coisa para o EE-T1 nos anos 1980's ao prever versões como Art Aae, Art AP, socorro, oficina, engenharia, etc... só para citar as mais óbvias. Neste entretempo, certamente o chassi básico passaria de mais de mil undes com facilidade em uma linha de produção. Isso sem contar uma suposta VBCI que acompanharia os CC's nos RCC e RCB, e como muita gente anda fazendo hoje por aí.

Eu creio que, levando-se em consideração que o nosso exército é tremendamente apegado ao seu tradicionalismo, e absurdamente desfalcado de qualquer experiência real e efetiva de combate com CC's - a cav blda do EB jamais entrou em combate real, portanto tudo que sabemos até hoje sobre isso está nos livros de história e nos manuais de campo - fica muito difícil para ele tentar encampar idéias tão inovadoras quanto desconhecidas ou não conciliares com as fórmulas prontas com as quais está tão acostumado.

Acredito neste sentido que quando o EB fala de família a partir de um novo CC, que não é ou deve ser tão novo assim para eles, estão falando simplesmente do desenvolvimento das versões acima citadas por mim tendo por referência o chassi básico do CC. E isso, creio, já será por si só um tremendo de um desafio para uma instituição pouco acostumada com a gestão e desenvolvimento de projetos tecnológicos de vanguarda.

Quanto a uma VBTP-SL, sou de opinião que esta irá ficar para uma segunda fase, pós-Guarani, e em paralelo talvez com o desenvolvimento do CC, quando a família deste estiver pronta e operacional no EB, com doutrinas definidas e identificadas, experiências feitas e muitas páginas de manuais escritas, a fim de se encontrar uma identidade para as OM's mecanizadas de suas forças.

Para tudo isso, aparentemente temos, ou teremos, o apoio da KMW do Brasil, que será o suporte alemão para a nova fase da cav blda do EB que se planeja para esta primeira metade do sec XXI. Projetos e expertise eles tem de sobra. Nós temos as idéias. Eles tem o conceito, a capacidade, a tecnologia... e os recursos($). Uma boa e sensata divisão de negócios com os italianos em termos tecnológicos e industriais.

Até prova em contrário, claro.

abs.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 1:47 pm
por LeandroGCard
FCarvalho escreveu:Eu creio que, levando-se em consideração que o nosso exército é tremendamente apegado ao seu tradicionalismo, e absurdamente desfalcado de qualquer experiência real e efetiva de combate com CC's - a cav blda do EB jamais entrou em combate real, portanto tudo que sabemos até hoje sobre isso está nos livros de história e nos manuais de campo - fica muito difícil para ele tentar encampar idéias tão inovadoras quanto desconhecidas ou não conciliares com as fórmulas prontas com as quais está tão acostumado.
Pensando neste ponto é que eu, se fosse o comandante-em-chefe do EB ( :wink: ), criaria um abrigada mista experimental com unidades de infantaria, cavalaria, artilharia (inclusive AAe) e etc..., que teria como função específica o desenvolvimento de novas doutrinas e equipamentos para a força.

O pessoal desta unidade não apenas estudaria todos os conflitos passados e atuais, bem como os avanços teóricos publicados em todos os cantos do mundo, mas principalmente estaria constantemente organizando e realizando manobras contra as demais unidades do EB e também da FAB e dos FN, para desenvolver e testar estes novos conceitos (mesmo que em situações "fake", onde os equipamentos ainda não estivessem realmente disponíveis) nas condições mais próximas às reais possíveis. Os resultados obtidos seriam então analisados e quando fosse o caso incorporados aos procedimentos, ou gerariam os novos RFI's para novos equipamentos.

O importante é que haveria gente focada o tempo todo em inovação dentro da força, e não apenas em seguir os procedimentos estabelecidos.


Leandro G. Card

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 2:10 pm
por Marechal-do-ar
Leandro acredito que tal unidade já exista, só não sei se é muito ativa.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 4:54 pm
por LeandroGCard
Marechal-do-ar escreveu:Leandro acredito que tal unidade já exista, só não sei se é muito ativa.
Alguém com mais conhecimento sobre o EB poderia dar alguma informação sobre isso, se existe alguma unidade assim e se é realmente ativa?

Eu nunca ouvi falar, o máximo que conheci (cheguei a visitar para fazer uma apresentação de tecnologia) foi o pessoal de pesquisas do CTEx. Mas eles praticamente não tinham atividades fora de seus próprios escritórios e oficinas ou do campo de provas da Marambaia. Não é a isso que me refiro, mas a uma unidade que simule operações de combate com concepções diferentes das que já estão nos manuais, e não apenas teste equipamentos seguindo protocolos já estabelecidos.


Leandro G. Card

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 4:59 pm
por jauro
O que o EB tem de mais parecido com isso é o C I Bld, que reúne tática, técnica e operacionalidade.
A guerra na selva, e as operações especiais, entre outros, são desenvolvidos assim, através de seus Centros de Instrução.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 7:38 pm
por FCarvalho
Pois é Jauro. O problema é que o CIbld hoje não oferece, talvez, todas as condições necessarias para exercer este papel plenamente, vide as limitações que possui quanto a recursos materiais e humanos.

Seria muito interessante que ele pudesse de fato desenvolver programas de testes de combate em diversos exercícios, com periodicidade diversa, do nível seção até divisão blda, mas eu creio que estamos ainda bem longe de poder fazer isso. Então fica realmente difícil podermos determinar que tipo de CC no futuro o EB irá precisar, quando o centro de que dispomos não tem as condições necessárias para desenvolver o seu trabalho a contento.

Aliás, parece que nem o EB tem certo que realmente precisa em termos de CC para o futuro, a não ser, aparentemente o seu peso, que seria em torno de 50 tons. Este número é de momento, apenas representativo. O mais, só saberemos quando este futuro previsível chegar da cav blda. Se chegar.

abs.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 7:43 pm
por FCarvalho
LeandroGCard escreveu:
FCarvalho escreveu:Eu creio que, levando-se em consideração que o nosso exército é tremendamente apegado ao seu tradicionalismo, e absurdamente desfalcado de qualquer experiência real e efetiva de combate com CC's - a cav blda do EB jamais entrou em combate real, portanto tudo que sabemos até hoje sobre isso está nos livros de história e nos manuais de campo - fica muito difícil para ele tentar encampar idéias tão inovadoras quanto desconhecidas ou não conciliares com as fórmulas prontas com as quais está tão acostumado.
Pensando neste ponto é que eu, se fosse o comandante-em-chefe do EB ( :wink: ), criaria um abrigada mista experimental com unidades de infantaria, cavalaria, artilharia (inclusive AAe) e etc..., que teria como função específica o desenvolvimento de novas doutrinas e equipamentos para a força.
O pessoal desta unidade não apenas estudaria todos os conflitos passados e atuais, bem como os avanços teóricos publicados em todos os cantos do mundo, mas principalmente estaria constantemente organizando e realizando manobras contra as demais unidades do EB e também da FAB e dos FN, para desenvolver e testar estes novos conceitos (mesmo que em situações "fake", onde os equipamentos ainda não estivessem realmente disponíveis) nas condições mais próximas às reais possíveis. Os resultados obtidos seriam então analisados e quando fosse o caso incorporados aos procedimentos, ou gerariam os novos RFI's para novos equipamentos.
O importante é que haveria gente focada o tempo todo em inovação dentro da força, e não apenas em seguir os procedimentos estabelecidos.

Leandro G. Card
Até onde conheço a parte educacional do EB, nós estamos, em nível de acadêmico muito bem obrigado.
O problema é que, tanto quanto a academia civil dista da realidade brasileira em termos de ensino, pesquisa e extensão, assim também a academia militar incorre em uma distância mais que significativa da realidade concreta das tropas nos quartéis.
Temos ótimos trabalhos de pesquisa no campo militar academico. O que não temos, e na verdade nunca tivemos, é a ponte necessária (gestão, investimento e política) entre o pesquisador e a aplicação prática da sua pesquisa.
Aí, não tem educação e nem formação que dê jeito.
E isso vale para os dois mundos.

abs.

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 8:18 pm
por LeandroGCard
jauro escreveu:O que o EB tem de mais parecido com isso é o C I Bld, que reúne tática, técnica e operacionalidade.
A guerra na selva, e as operações especiais, entre outros, são desenvolvidos assim, através de seus Centros de Instrução.
Tenho alguma informação sobre este grupo, principalmente via Cel. Gélio Fregapani que serviu com meu pai (eles se tornaram muito amigos). Mas até onde ouvi a única área em que atuava era na de pequenas frações de infantaria, principalmente em sua adaptação a ambientes diversos (selva, caatinga, montanha, etc...). E não tinham exatamente as atribuições que imagino, por exemplo, em geral não se envolviam com o desenvolvimento de armas, apenas com a escolha para uso do que já existisse pelo mundo.

O que imagino seria algo bem maior e mais abrangente, que envolveria armamentos em todos os níveis e que inclusive trabalharia junto com o IME, o CTEx, os fornecedores do EB e a BID em geral.


Leandro G. Card

Re: tanques e blindados

Enviado: Ter Set 01, 2015 8:47 pm
por Wingate
LeandroGCard escreveu:
jauro escreveu:O que o EB tem de mais parecido com isso é o C I Bld, que reúne tática, técnica e operacionalidade.
A guerra na selva, e as operações especiais, entre outros, são desenvolvidos assim, através de seus Centros de Instrução.
Tenho alguma informação sobre este grupo, principalmente via Cel. Gélio Fregapani que serviu com meu pai (eles se tornaram muito amigos). Mas até onde ouvi a única área em que atuava era na de pequenas frações de infantaria, principalmente em sua adaptação a ambientes diversos (selva, caatinga, montanha, etc...). E não tinham exatamente as atribuições que imagino, por exemplo, em geral não se envolviam com o desenvolvimento de armas, apenas com a escolha para uso do que já existisse pelo mundo.

O que imagino seria algo bem maior e mais abrangente, que envolveria armamentos em todos os níveis e que inclusive trabalharia junto com o IME, o CTEx, os fornecedores do EB e a BID em geral.


Leandro G. Card
Por certo deverá também abranger um profundo estudo prático sobre guerra assimétrica, dado o surgimento do EI e do longo e sangrento conflito na Síria.

Wingate