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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 4:43 pm
por Francoorp
Jobim afirma que Brasil não irá assinar protocolos adicionais de Tratado de Não Proliferação Nuclear
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar hoje (9) que o Brasil não irá assinar qualquer protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, cedendo a pressões externas.
“Esta é uma decisão tomada pelo presidente da República e que consta da Estratégia Nacional de Defesa. Não assinaremos nenhum protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, declarou Jobim, ressaltando que embora o país não tenha interesse em desenvolver armas nucleares, “não pode abrir mão de conhecer a tecnologia nuclear”.
“É necessário, isso sim, que os países [que detêm armas] nucleares comecem a reduzir seus armamentos. Porque a dissuasão nuclear – que parte do pressuposto de que se pode usar uma arma que atinja indiscriminadamente civis não insurgentes – é imoral”, avaliou o ministro durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e que durou mais de quatro horas.
Proposto em 1968, o tratado conta com a adesão de 189 países. Originalmente, o acordo estabelecia que o bloco das cinco pontências nucleares (Estados Unidos, União Soviética (atual Federação Russa), China, Reino Unido e França) poderiam manter o armamento, mas vedava a transferência ou o repasse da tecnologia de fabricação para os outros países. Os Estados Unidos, no entanto, jamais assinaram o pacto.
Já para os demais signatários o tratado estabelecia o compromisso de não fabricarem armamentos nucleares. Em 1970, um novo acordo permitiu que os países desenvolvessem tecnologia nuclear para fins pacíficos, como a geração de energia. Além disso, as cinco potências nucleares deveriam desarmar-se.
Quinquenal, o tratado deve ser revisado no ano que vem. Para Jobim, os acordos não tiveram sucesso em reduzir a quantidade de armamentos nucleares.
Fonte: Agência Brasil via site Plano Brasil
http://pbrasil.wordpress.com/2009/12/11 ... o-nuclear/
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 5:52 pm
por cassiosemasas
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar hoje (9) que o Brasil não irá assinar qualquer protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, cedendo a pressões externas.
“Esta é uma decisão tomada pelo presidente da República e que consta da Estratégia Nacional de Defesa. Não assinaremos nenhum protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, declarou Jobim, ressaltando que embora o país não tenha interesse em desenvolver armas nucleares, “não pode abrir mão de conhecer a tecnologia nuclear”.
È isso ai!!!!
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 5:57 pm
por Marino
Recado para o itamaraty.
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 7:56 pm
por irlan
você acha que o Itamaraty cederia denovo Marino?
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 8:17 pm
por Bourne
O Itamaraty é um braço do estado brasileiro. É uma instituição com tradições, visões e pensamentos próprios. Porém, em linhas gerais, precisa seguir as orientações do poder central. É claro que pode discutir e argumentar sobre os beneficio se seu ponto de vista, mas no fim tem que obedecer. Se tiver o apoio da nação e estado como um todo, caso contrário, não tem força para impor a sua decisão sobre um instituição especifica.
Não venham falar que o Governo é o fod@ão que faz, manda e arrebenta, e que as demais instituições do Estado precisam obedecer caladas e submissas. Nunca funcionou assim em lugar nenhum do mundo e não será aqui que a coisa será diferente, pois os conflitos e sua administração está implícito na estrutura de estado e nação.
Como estou erudito.
![Cool 8-]](./images/smilies/icon_cool.gif)
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 8:24 pm
por Francoorp
Bourne escreveu:O Itamaraty é um braço do estado brasileiro. É uma instituição com tradições, visões e pensamentos próprios. Porém, em linhas gerais, precisa seguir as orientações do poder central. É claro que pode discutir e argumentar sobre os beneficio se seu ponto de vista, mas no fim tem que obedecer. Se tiver o apoio da nação e estado como um todo, caso contrário, não tem força para impor a sua decisão sobre um instituição especifica.
Não venham falar que o Governo é o fod@ão que faz, manda e arrebenta, e que as demais instituições do Estado precisam obedecer caladas e submissas. Nunca funcionou assim em lugar nenhum do mundo e não será aqui que a coisa será diferente, pois os conflitos e sua administração está implícito na estrutura de estado e nação.
Como estou erudito.
![Cool 8-]](./images/smilies/icon_cool.gif)
Verdade é assim mesmo, é a administração que diz o que se faz e basta, e assim no mundo todo!!!
As vezes a gente esquece que é assim né?
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 8:32 pm
por Bourne
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 8:46 pm
por Marino
irlan escreveu:você acha que o Itamaraty cederia denovo Marino?
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Sim, estão pressionando fortemente para isso.
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 9:25 pm
por Francoorp
Tà bom... não quis dizer que tem um imperador e basta, o que eu quis dizer e que mesmo com o conflito interno, como você diz, a posição do poder instituído acaba prevalecendo. O subordinado usa os critérios técnicos como arma de argumentação nas posições contrapostas dentro do contexto inicial da discussão, mas cabe ao chefe no canto da mesa, escolher a linha.
Mesmo com muita discussão e confronto, a coisa vai ser assim, e no fim o Itamaraty vai ter que usar as próprias técnicas para fazer realidade a vontade política do administrador geral do estado( Presidente).
Não estou dizendo que não seja salutar o confronto para a organização, muitas das posições escolhidas vem próprio das propostas do antagonista do contexto da discussão, e isso tudo vem somado em uma estratégia final para a aplicação...foi claro né???
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sex Dez 11, 2009 10:09 pm
por Bolovo
Marino escreveu:irlan escreveu:você acha que o Itamaraty cederia denovo Marino?
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Sim, estão pressionando fortemente para isso.
O que há de errado com esses caras do Itamaraty que eu nunca entendi? Quer ser potência mas atua como uma colônia do sec XVI.
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Sáb Dez 12, 2009 12:04 am
por Penguin
Marino escreveu:irlan escreveu:você acha que o Itamaraty cederia denovo Marino?
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Sim, estão pressionando fortemente para isso.
Eles querem paz nas recepções e jantares mundo afora...rs.
[]
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Qui Dez 24, 2009 11:36 am
por Marino
Vejam como as potências violam o TNP sistematicamente.
Somente corrobora que o TNP e Tratados Adicionais são para manterem desarmados os países que não possuem armas nucleares, e que aqueles que as possuem podem tudo.
Rússia trabalhará em novos mísseis nucleares, diz Medvedev
MOSCOU (Reuters) - A Rússia irá trabalhar em uma nova geração de mísseis nucleares para garantir que seu poder de dissuasão nuclear permaneça forte, disse o presidente Dmitry Medvedev nesta quinta-feira.
Medvedev disse que os novos mísseis serão desenvolvidos seguindo acordos realizados com os Estados Unidos.
"Claro, desenvolveremos novos sistemas, incluindo sistemas de entregas, isso é, mísseis", disse Medvedev em entrevista de final de ano com emissoras estatais.
"Este processo será continuado, e nosso escudo nuclear sempre será eficiente e suficiente para proteger nossos interesses nacionais", disse.
O chefe do Kremlin disse que a Rússia e os EUA estão perto de um novo acordo para reduzir os grandes arsenais de armas nucleares da Guerra Fria, acrescentando ter "relações de confiança" com o presidente norte-americano, Barack Obama.
(Reportagem de Dmitry Solovyov)
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Qui Dez 24, 2009 12:54 pm
por Sterrius
E no final o "clube" nao tem prazo de acabar!
Curiosamente so os EUA tão perdendo ae pq são os unicos que não estão criando novas gerações de armas nucleares. Logo correm o risco de perder o arsenal nuclear em 20-40 anos!
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Qui Dez 24, 2009 2:23 pm
por Bourne
Como você sabe? A coisa pode ser tão secreta que estão desenvolvendo e produzindo, mas ninguém sabe.
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Enviado: Seg Jan 18, 2010 2:45 pm
por Marino
ESPAÇO ABERTO
O desarmamento nuclear
José Goldemberg
Em 6 de agosto de 1945 um único avião lançou sobre Hiroshima, no Japão, uma bomba atômica
que provocou a destruição que mil aviões de bombardeio com 50 toneladas de explosivos (e bombas
incendiárias) causariam, matando cerca de 140 mil pessoas (civis, e não combatentes). Três dias depois
outra bomba arrasou Nagasaki.
Os Estados Unidos, na época, acreditavam que conseguiriam manter o monopólio da posse de
armas atômicas por muitos anos, o que não ocorreu. Apenas três anos depois, em 1948, a União
Soviética produziu bombas com poder explosivo maior do que a bomba de Hiroshima, o que foi também
conseguido logo após pela Inglaterra, pela França e, depois, pela China.
A corrida armamentista nuclear que se seguiu foi baseada na teoria da "destruição mútua", em
que cada uma das potências nucleares (principalmente Estados Unidos e União Soviética) garantia sua
segurança ameaçando seus adversários de destruição, caso fosse atacada com essas armas. Segundo
alguns analistas, foi essa política de "deterrência" que impediu que a guerra fria se transformasse numa
guerra nuclear, que provavelmente destruiria a civilização moderna como a conhecemos. Só para dar
uma ideia de quão real seria essa possibilidade, mais de mil testes nucleares foram feitos antes que
fossem proibidos por tratado internacional, uma vez que estavam "envenenando" a atmosfera com
substâncias radioativas.
O horror causado pela destruição de Hiroshima e Nagasaki, no entretanto, deu início a um amplo
movimento para a eliminação das armas nucleares. Antes disso, os próprios cientistas que as
construíram haviam proposto ao governo dos Estados Unidos que não fossem utilizadas. Essas
propostas não só foram ignoradas, mas ridicularizadas como provenientes de pacifistas ingênuos que
não entendiam a realidade dos confrontos internacionais.
Decorrido mais de meio século, eis que surge nos Estados Unidos uma nova proposta de
eliminação das armas nucleares, desta vez feita não por pacifistas, mas por experimentados "guerreiros"
da guerra fria, como Henry Kissinger, ex-secretário de Estado, e William Perry, ex-secretário de Defesa,
além de outros.
O que Kissinger e outros estão propondo agora é o que o Brasil e a Argentina fizeram em 1992, e
que é frequentemente citado como um bom exemplo de como resolver o problema da competição
nuclear: os dois países abandonaram programas de desenvolver armas nucleares porque decidiram que
poderiam garantir melhor sua segurança com vizinhos que não possuíssem essas armas.
A motivação da proposta de Kissinger, considerado um "realista", é a seguinte: do ponto de vista
técnico, é impossível impedir a proliferação das armas nucleares e eventualmente elas cairão nas mãos
de países com governos problemáticos e até de terroristas, que não hesitarão em usá-las. Durante a
guerra fria, os grandes adversários, Estados Unidos e União Soviética, possuíam estoques de mais de
50 mil bombas nucleares, muito mais poderosas do que a que destruiu Hiroshima, mas o papel delas era
convencer o adversário de que não deveria usá-las, ou seja, elas eram, na realidade, "armas de
dissuasão", que, efetivamente, nunca foram usadas. A "dissuasão", contudo, não se aplica a grupos
terroristas, que não têm nada a perder, uma vez que não representam nações, cujos governantes
hesitariam em usar armas nucleares sabendo que suas cidades seriam arrasadas em retaliação.
As grandes potências ? Estados Unidos, União Soviética (hoje Rússia), Inglaterra, França e
China ? tentaram em 1968 evitar a proliferação nuclear a outros países, por meio do Tratado de Não-
Proliferação Nuclear (TNP). Uma das premissas básicas desse tratado era a de que os "países nãonucleares"
(na época) não desenvolveriam armas nucleares em troca do direito de desenvolverem
energia nuclear para fins pacíficos, para o que poderiam contar com a ajuda tecnológica dos países
nucleares (artigo IV).
Os que desenvolvessem armas não teriam essa ajuda e a Agência Internacional de Energia
Atômica foi encarregada da fiscalização, para que isso não ocorresse. O recente acordo dos Estados
Unidos com a Índia, promovido pelo governo Bush, desmoralizou essa premissa. A Índia desenvolveu
armas nucleares e está recebendo ampla ajuda nessa área. É evidente que os outros países, como o
Paquistão, estão reivindicando igual tratamento e até o Irã tem utilizado o artigo IV do TNP para justificar
seus esforços para desenvolver um projeto de enriquecimento de urânio em grande escala. Como
compensação, os "países não-nucleares" signatários do TNP receberam ? ao abrirem mão do
desenvolvimento de armas nucleares ? a promessa de que os países que possuíam tais armas iniciariam
"logo" negociações "em boa-fé" para cessar a corrida atômica e promover o desarmamento nuclear
(artigo VI). Essa promessa nunca foi cumprida.
Esperar, portanto, que o TNP impeça completamente a proliferação de armas nucleares a outras
nações não é uma opção muito realista. Uma solução mais pragmática seria eliminar as armas
nucleares, proibir seu uso e reduzir, assim, os estímulos para obtê-las. Essa, em poucas palavras, é a
proposta de Kissinger e seus colegas.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua campanha eleitoral prometeu eliminar
armas nucleares a "médio prazo", bem como reduzir a "curto prazo" ? conjuntamente com a Rússia ? os
amplos estoques de armas nucleares, que são hoje mais de 5 mil em cada um desses países.
A nova política nuclear dos Estados Unidos deverá ser anunciada brevemente e veremos então
se o "novo realismo nuclear" é de fato para valer ou uma figura retórica.
José Goldemberg é professor da Universidade de São Paulo