É inadequado dizer que o Brasil passa por uma crise, diz Mantega
A expectativa do mercado é que o PIB cresça apenas 0,70% em 2014
26/08/2014 | 09h38
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, na noite de segunda-feira, que é "inadequado" falar que a economia brasileira passa por uma crise ou mesmo está estagnada.
– Que crise é essa com quase pleno emprego, com valorização da bolsa (de valores) há mais de seis meses e com estabilização cambial, entre outros atributos? – enfatizou ao discursar em uma premiação a empresários promovida pelo jornal Valor Econômico, na capital paulista.
O discurso do ministro foi uma resposta a críticas que as decisões tomadas pelo governo na área da economia vem recebendo de jornalistas, economistas e analistas econômicos e de mercado. Uma série de índices econômicos negativos foi divulgada no último mês.
Na segunda-feira, a projeção do crescimento da economia foi revisada pela 13ª semana seguida de 0,79% para 0,70%. O mês de julho registrou a pior arrecadação para julho desde 2010 e a pior criação de empregos formais em 15 anos. O primeiro semestre de 2014 teve o pior Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do governo Dilma Rousseff para a primeira metade do ano.
Porém, segundo Mantega, já existem indícios de que a economia voltará a crescer na segunda metade do ano.
– Após a desaceleração do segundo trimestre, já está sendo detectado neste segundo semestre a recuperação do nível de atividade. Nestas circunstâncias, podemos falar em crescimento moderado. É inadequado falar em estagnação, em recessão e, muito menos, em crise da economia brasileira – afirmou o ministro.
A recuperação foi possível, segundo Mantega, após a desaceleração da inflação que permitiu que o Banco Central afrouxasse a política monetária.
– Com a inflação em queda livre e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) tendo chegado a praticamente zero em julho (0,01%), iniciou-se a descompressão da política monetária.
Os aumentos da taxa básica de juros e outras medidas tomadas pela autoridade monetária foram, de acordo com Mantega, necessários para combater a alta dos preços, impulsionada pela estiagem de 2013.
– A política monetária foi um sucesso como instrumento para combater a pressão inflacionária, mas resultou na queda vertiginosa no crédito às empresas e aos consumidores – ressaltou.
Apesar da queda no crescimento, Mantega acredita que o país teve um bom desempenho e superou o momento adverso causado, principalmente, pela turbulência no cenário internacional.
– Não se pode negligenciar o fato de que vivenciando uma crise internacional tão grave quanto a de 1929 e o Brasil tenha se saído tão bem em comparação com as crises do passado – analisou.
– Apostamos na queda dos juros, na redução de tributos, mantivemos o câmbio flutuante evitando o excesso de valorização do Real – citou sobre as medidas tomadas para combater os efeitos da crise. Mesmo assim, Mantega ressaltou que o governo não abriu mão do sistema de metas de inflação e da sustentabilidade macroeconômica.
*Agência Brasil
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/201 ... 83719.html
MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
O mesmo discurso de sempre do Mantega e Tia Dilma. Eles não perceberam que a cada declaração desses criam instabilidade de curto prazo que comprometem investimentos e tudo mais.
Isso é ato de autossabotagem. Começa a acreditar que o Mantega é um agente infiltrado do PSDB.![[001]](./images/smilies/001.gif)
Isso é ato de autossabotagem. Começa a acreditar que o Mantega é um agente infiltrado do PSDB.
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Acabei de ver na tv as previsões do Sr Mantega. O pior de tudo foi ouvir o sujeito falando que no ano que vem vai chover muito. Não acerta em economia e ai resolveu partir para a meteorologia. 
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Tá sodas...
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Provavelmente se não chover ano que vem vão contratar um monte de cubanos para cuspir nas plantações.
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Só rindo...
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
O Mantega previu que vai chover muito?nveras escreveu:Acabei de ver na tv as previsões do Sr Mantega. O pior de tudo foi ouvir o sujeito falando que no ano que vem vai chover muito. Não acerta em economia e ai resolveu partir para a meteorologia.
Putz, pelo menos mais um ano de estiagem...
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Esse cara vive em outro mundo. Se ele fosse ministro da economia da Grécia no clímax da crise, iria dizer com certeza que "nunca a Grécia cresceu tanto, com tanta gente indo às ruas festejar".
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Estamos em recessão. Ouvi na Globo News que se crescermos qualquer coisa acima de zero será bom. A Dilma falou que a culpa é dos feriados da copa do mundo. O próximo culpado deve ser Botswana, mas acho que será Mônaco, que tem olhos azuis.
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Se a Dilma e equipe mandassem a real. Sem me chamar de idiota toda a vez que declaram que o país não cresce devido a grande crise externa, até votaria de novo. Não me chamem de neoliberal. Quem acredita na desculpa é a cúpula do governo. Talvez, nem eles, mas mantém o discurso por marketing. Só pode ser conselho do marqueteiro.
Dados e provocação do Senhor Oreiro.
Fico assustado e aborrecido ao ver que a coisa chegou nesse ponto. Não entendo como o partido deixou isso acontecer depois sofrer tanto durante o governo Lula. Eles conseguiram transformar o melhor ambiente para investimento e transformação tecnológica do país nos últimos 30 anos em irrelevante. O pior problema seriam contas externas que poderia ser revertido no médio e longo prazo. Enquanto na prática em pouco mais de dois anos criaram condições para especulação através da inflação, fechamento no mercado altamente lucrativo nacional, distúrbios de curto prazo e não investimento. Sem investimento não se cresce de forma sustentada.
Dados e provocação do Senhor Oreiro.
E um pouco da crise externa.Dados do PIB mostram o fracasso do “social-desenvolvimentismo”
Fonte: http://jlcoreiro.wordpress.com/2014/08/ ... imentismo/
Dados divulgados nesta sexta-feira dia 29 pelo IBGE confirmam que o PIB brasileiro caiu 0,6% no segundo trimestre de 2014 com relação ao primeiro trimestre. O resultado superou a expectativa de queda das consultorias e instituições financeiras que esperavam uma queda de “apenas” 0,4% do PIB no segundo trimestre. Em função do resultado negativo no segundo trimestre, o PIB do primeiro trimestre foi revisto, apurando agora uma queda de 0,2%. Com isso, a economia brasileira está oficialmente em recessão, pois apresentou dois trimestres consecutivos de queda do nível de atividade econômica. A queda do PIB do segundo trimestre foi puxada pelo desempenho negativo da indústria que apresentou queda de 1,5% entre abril e junho deste ano com respeito ao período de janeiro a março. Mas a queda atingiu também o setor de serviços que apresentou contração 0,5% do segundo trimestre. Apenas o setor agropecuário apresentou desempenho positivo de 0,2$ no trimestre. Pelo lado da demanda agregada o desempenho negativo do PIB foi puxado pelo investimento que apresentou contração de 5,3% no trimestre. O consumo das famílias, que vinha sendo o motor do crescimento da economia nos últimos anos, apresentou crescimento de apenas 0,3% no trimestre.
Os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram de forma inequívoca o esgotamento do modelo de crescimento puxado pelo consumo de massas que embasa o “social-desenvolvimentismo”. A queda da produção industrial ao mesmo tempo em que o consumo das famílias apresenta um crescimento positivo, embora pífio, mostra que o problema da indústria brasileira não é falta de demanda, mas falta de competitividade. Como nossa indústria não consegue ser competitiva para exportar e nem para concorrer no mercado interno com os produtos importados, então temos como resultado a substituição de produção doméstica por importações, o que faz com que a produção industrial se contraia, levando os empresários a investir menos na ampliação e modernização do parte produtivo. Como o parque industrial não se moderniza pela falta de investimentos, a produtividade da indústria também não avança, o que reforça o problema de competitividade da indústria, criando assim um ciclo vicioso que está levando a economia brasileira a estagnação.
Talvez, o Brasil seja membro da UE e não sabemos. Aí sim, temos um grande fator para não crescer. Por que o resto do mundo, incluindo EUA, emergentes da Ásia e vizinhos latino-americanos andam bombando.Pois é enquanto o Brasil maravilha da propaganda do PT tem um fantástico crescimento (só que negativo) de 0,6% no segundo trimestre, os Estados Unidos que, segundo Dona Presidenta, estariam em crise, apresentaram uma taxa anualizada de crescimento (positivo) de 4,2% no segundo trimestre de 2014. É a economia mundial tá numa crise danada mesmo.
Fico assustado e aborrecido ao ver que a coisa chegou nesse ponto. Não entendo como o partido deixou isso acontecer depois sofrer tanto durante o governo Lula. Eles conseguiram transformar o melhor ambiente para investimento e transformação tecnológica do país nos últimos 30 anos em irrelevante. O pior problema seriam contas externas que poderia ser revertido no médio e longo prazo. Enquanto na prática em pouco mais de dois anos criaram condições para especulação através da inflação, fechamento no mercado altamente lucrativo nacional, distúrbios de curto prazo e não investimento. Sem investimento não se cresce de forma sustentada.
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
O que me admira mais é que até os leigos enxergaram o porvir. 
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Que momento para fazer uma dissertação com esse tema e ainda dar uma entrevista neste tom. Não por acaso é da unicamp e não vai sair de lá tão cedo. Por que a imagem do centro com a trapalhadas atuais ficou muito abalada com to mundo, sobretudo, os outros centros heterodoxos importantes: UFMG e UFRJ. Hoje o diploma da unicamp vale nada e pesa contra.
Autonomia em meio ao furacão
Para pesquisador, medidas adotadas pelos governos Lula e Dilma foram importantes para o país enfrentar efeito-contágio da crise de 2008
Texto:
Fonte> http://www.unicamp.br/unicamp/ju/604/au ... ao-furacao
Os avanços da economia brasileira nos anos anteriores à grande crise internacional de 2008 deram ao governo os meios para reagir de forma mais autônoma, com a adoção de políticas anticíclicas já no governo Lula (2003-2011) e de técnicas inéditas de gestão dos fluxos de capitais e derivativos na atual administração de Dilma Rousseff, diz dissertação de mestrado defendida no Instituto de Economia (IE) da Unicamp.
“No Brasil, além da política de acumulação de reservas, a redução do endividamento externo público foi fundamental para a diminuição da vulnerabilidade externa. Essas ações tornaram o governo e país credores líquidos em moeda estrangeira em 2006 e 2007, respectivamente, posição muito importante para o Brasil enfrentar o efeito-contágio da crise”, diz o trabalho, de autoria do pesquisador Saulo Abouchedid. “Isso porque a desvalorização da moeda brasileira no último quarto de 2008 gerou um efeito positivo sobre as contas públicas pela primeira vez na história, e não obrigou o país a recorrer ao FMI, como nas crises dos anos 1980 e 1990”. Esse resultado foi fundamental, escreve o autor, “para aumentar a autonomia da política econômica, possibilitando a adoção de políticas anticíclicas”.
Em entrevista ao Jornal da Unicamp, Abouchedid explicou que países cujas moedas não têm liquidez internacional, como é o caso do real, possuem um grau reduzido de autonomia de política econômica. “A hierarquia de moedas é uma hierarquia entre os diferentes graus de liquidez que as várias moedas exibem na economia mundial. O fato de o real ser uma moeda ilíquida internacionalmente implica uma instabilidade nas taxas de câmbio e de juros e uma perda de autonomia na política econômica”.
Por conta disso, esses países emergentes muitas vezes se veem presos aos ciclos de liquidez internacional. Uma política anticíclica, nesse sentido, seria uma política que busca se contrapor a esse ciclo – no caso da crise de 2008, ao ciclo depressivo iniciado pela quebra do banco Lehman Brothers, que se seguiu ao colapso dos chamados empréstimos subprime nos Estados Unidos, ocorrido no ano anterior.
Momentos de mudança
Em sua dissertação, Abouchedid identifica dois momentos de mudança na política econômica brasileira após o início da crise. Ele lembra que durante o governo Lula, com o Banco Central ainda sob o comando de Henrique Meirelles, as políticas de juros, de câmbio e de metas de inflação vinham seguindo a linha ortodoxa adotada na gestão de Fernando Henrique Cardoso. “O primeiro momento veio logo após a eclosão da crise sistêmica, da falência do Lehman Brothers, por meio da ação do Banco Central (BC) nos mercados interbancários e no mercado de crédito”, disse ele. “E o governo também atuou na politica fiscal, por meio de um pacote de estímulo ao investimento e ao consumo. Além do estímulo fiscal, outra ação fundamental, anticíclica, foi o uso dos bancos públicos para estimular o crédito”.
O segundo momento da mudança, prossegue o pesquisador, vem após a retomada dos fluxos de capitais para o Brasil, a partir de 2009. Com a queda dos juros nos países desenvolvidos, em resposta à recessão desencadeada pela crise, investidores internacionais passaram a buscar mercados emergentes, que ofereciam taxas mais atraentes. Com a entrada abundante de dólares, o real passou a ser valorizado.
“O mercado de câmbio brasileiro é muito líquido e suscetível aos ciclos especulativos”, explicou Abouchedid. “Se o Banco Central não atuasse, o câmbio brasileiro tenderia à paridade”.
Em 2011, tinha início o mandato de Dilma Rousseff e Henrique Meirelles era substituído por Alexandre Tombini no comando do BC. “A Dilma não só atuou com controle de capitais no mercado de câmbio à vista, por meio do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas também atuou no mercado de derivativos de câmbio”, disse o pesquisador. “Ela atuou por meio do que se convencionou chamar de técnicas de gestão de derivativos: colocou um limite nas posições dos bancos e investidores estrangeiros, impediu essa festa que havia no mercado de câmbio”, onde era possível, por exemplo, apostar nas cotações futuras do dólar sem desembolsar um real, apenas apresentando garantias.
“Essas técnicas de gestão de derivativos foram inéditas”, explicou o pesquisador. “Porque são diferentes do simples controle de fluxo de capitais. Elas nem sempre envolvem fluxos de capitais. Os investidores vinham aqui às vezes sem desembolsar nenhum real. Então como é controle de fluxo de capitais se não há entrada e saída de capital?”
Condicionantes
Em sua dissertação, Abouchedid levanta quatro hipóteses para explicar a autonomia demonstrada pelo governo brasileiro na administração da economia durante a crise: ela teria feito parte de uma grande concertação de esforços anticíclicos encabeçada pelos países ricos; teria ocorrido em resposta a uma mudança no receituário econômico do FMI e de outros organismos multilaterais; o Brasil teria tirado proveito de uma situação favorável construída nos anos anteriores à crise; e, por fim, as mudanças refletiriam uma alteração na orientação econômica do governo, a partir da posse de Dilma.
O pesquisador conclui que a principal causa foi a situação favorável obtida no período 2003-2007, seguida pela mudança na gestão da política econômica no biênio 2011-2012. As mudanças nas recomendações dos organismos internacionais, disse o autor, ocorreram quando as transformações na política brasileira já estavam em curso, e a concertação dos países avançados, embora relevante, não foi, de acordo com a dissertação, suficiente para explicar as mudanças no Brasil.
Convenção Pessimista
Abouchedid acredita que o governo Dilma tomou medidas corretas para estimular a retomada do crescimento da economia brasileira, como a flexibilização do chamado “tripé macroeconômico” – câmbio flutuante, meta de inflação, superávit primário –, a tentativa de redução dos juros, os pacotes de desoneração e os investimentos públicos. De acordo com o autor, a aplicação rígida do tripé tinha sido útil para controlar a inflação no período de bonança anterior à crise de 2008, mas depois passou a ser um entrave ao desenvolvimento econômico, ao manter os juros altos e o real valorizado.
“Dilma buscou durante todo o governo estimular o investimento. Ela utilizou de diversos instrumentos de política cambial, reduziu a taxa de juros e lançou mão de vários programas para desoneração de folha salarial e de compras governamentais de produtos de conteúdo nacional. Essas são politicas de estímulo ao crescimento”, disse ele.
O pesquisador atribui o fato de essas políticas não estarem gerando os resultados esperados a uma série de fatores, incluindo uma mudança no cenário internacional, com redução de liquidez internacional; uma “convenção pessimista”, na qual os empresários relutam em investir; e, também, erros do governo, que não soube coordenar suas ações de estímulo e nem foi capaz de fazer deslanchar os investimentos públicos em infraestrutura.
“Mas a gente não pode deixar de reconhecer os pontos positivos. Dilma foi na direção correta em diversos pontos cruciais da política econômica”, declarou ele.
A autonomia que permitiu ao Brasil reagir à crise de 2008 não existe mais, na avaliação de Abouchedid. “O pequeno aumento do grau de autonomia de política econômica que a gente conseguiu nesses dois momentos, acho que perdemos”, disse ele.
“Tanto por causa dessa reversão parcial dos fluxos de capitais, quanto por conta de todos esses fatores internos: o insucesso de algumas políticas, principalmente de estímulo ao investimento, que fez com que o governo voltasse para a defensiva, a inflação também voltou a incomodar. O tripé voltou a ser mais inflexível e a taxas de juros e de câmbio voltaram a apresentar maior instabilidade”.
Mas algumas conquistas se preservaram, segundo ele: “Lá no longo prazo, quando a abundância de liquidez voltar a acontecer, o governo já tem algumas técnicas de gestão dos fluxos de capitais e de derivativos desenvolvidas. Se houver necessidade, espero que esses instrumentos sejam usados novamente”.
Publicação
Dissertação: “A política econômica no Brasil no contexto da crise financeira global (2008-2012)”
Autor: Saulo Abouchedid
Orientadora: Daniela Prates
Unidade: Instituto de Economia (IE)
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Quando alguém fica bêbado com facebook ligado.
Do facebook do Oreiro
Sinto cheiro de sangue e ódio na IE-UFRJ para 2015.
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Do facebook do Oreiro
Ficou magoado.Lá lá lá, Tá chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, e o PT tem que ir embora ....
E temos contas pessoais para acertar com Guido, Pochaman, Sicsu e outros
Quando meu nome foi cogitado pra presidência do IPEA fui abatido a tiros pela turma da Unicamp e parte da UFRJ. Pois é, puseram o Marcelo Neri na presidência do IPEA deixando o Guido sem nenhum contraponto na Fazenda. Deu no que deu.
Sinto cheiro de sangue e ódio na IE-UFRJ para 2015.
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
E segue o barco..., ladeira abaixo
.

Leandro G. CardCom dívida de R$ 2 bi, Grupo Inepar deve pedir recuperação judicial
Empresa já figurou entre mais valiosas da Bolsa, mas hoje tem valor de mercado de R$ 50 milhões e deve ser assumida pelo Brasil Plural
Fernando Scheller, Mônica Scaramuzzo - O Estado de S.Paulo 30 Agosto 2014
O executivo do banco Brasil Plural, Warley Pimentel, foi ontem a Araraquara para anunciar pessoalmente a mais de mil funcionários da maior fábrica do grupo paranaense Inepar que a companhia entrará com o pedido de recuperação judicial. A antes poderosa holding de produção de máquinas e equipamentos, que foi presença constante nos leilões das privatização dos anos 90, tem hoje uma dívida acumulada de R$ 2 bilhões - valor impagável nas condições atuais do negócio.
Caso a recuperação seja aprovada, a empresa ganhará tempo para organizar suas contas. Outra consequência do pedido de recuperação deverá ser a saída definitiva do empresário Atilano de Oms Sobrinho da gestão. Há quatro meses, o banco Brasil Plural foi contratado para fazer um diagnóstico sobre as contas da empresa. Agora, Pimentel, executivo da instituição, deverá assumir a presidência da Inepar. Apesar de a notícia já ter sido informada a funcionários, o comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não havia sido publicado até o fechamento desta edição.
Fundada há mais de 60 anos, a Inepar viveu seus tempos áureos entre 1997 e 2002, quando as ações preferenciais da companhia figuraram entre os destaques do Ibovespa - hoje, a ação do negócio vale R$ 0,38, o que se refletiria um valor de mercado de menos de R$ 50 milhões.
A companhia enfrenta dificuldades para pagar até contas do dia a dia, embora os salários de 6 mil funcionários estejam em dia, segundo o Brasil Plural. Com faturamento anual de R$ 1,2 bilhão, a companhia tem geração de caixa de cerca de R$ 100 milhões por ano.
Do total do endividamento, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) responde por cerca de R$ 1 bilhão da dívida financeira, que soma cerca de R$ 1,5 bilhão. O restante é basicamente de débitos tributários.
Na opinião do provável novo presidente da Inepar, a empresa foi abatida pelo cenário de desaceleração da economia, com redução dos investimentos em infraestrutura. "Nos últimos dez anos, o grupo vivenciou um longo processo de reestruturação agravado por uma série de condições adversas que impactaram a estrutura de capital da companhia, deteriorando o balanço patrimonial e afetando capacidade operacional do grupo", disse Pimentel.
Fontes ouvidas pelo Estado afirmaram que algumas das decisões estratégicas do grupo nos últimos anos foram consideradas arriscadas, prejudicando os negócios da companhia. No processo de privatizações do fim dos anos 1990, por exemplo, a empresa fez tantas propostas por concessões de telefonia e energia que acabou com o dobro de participações que realmente desejava ter nas mãos.
Sob o comando de Atilano, um aficionado por radioamador, a empresa investiu em projetos ousados de telefonia, entre eles o telefone via satélite Iridium. Em 1998, a Inepar era uma das três sócias do negócio na América do Sul, ao lado da Telecom Itália (dona da TIM) e da Motorola. Pouco depois de um anúncio feito com pompa, o projeto faliu.
Segundo fonte do empresariado paranaense, os controladores da Inepar também investiram em um telefone desenvolvido por um militar. "Esse militar já tinha me apresentado o projeto, mas fiquei desconfiado", lembra. "Eles foram lá e compraram. Não deu em nada."
Momento crítico.
Para fontes de mercado, no entanto, os atuais negócios da Inepar poderiam ter melhor desempenho caso o governo e as indústrias não tivessem parado de investir. Para José Velloso Dias Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o momento é crítico. "Somos a indústria que constrói indústria. Se as indústrias não investem, todo o setor é prejudicado." A expectativa é de que o faturamento do setor, que foi de R$ 80 bilhões em 2013, recue 15% este ano. "Geramos 260 mil empregos diretos. Até julho, fechamos 8 mil vagas."
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Re: MOMENTO ATUAL DA ECONOMIA BRASILEIRA
Isso reforça a ideia que os investimentos pararam e, as grandes empresas, aquelas que lideram os investimentos e tem efeitos de encadeamento, preferem ganhar dinheiro com aumento de preços. Assim, ao invés de puxar crescimento da economia, preferem puxar aumento de preços.
Não com incentivo e dinheiro barato que vai sair dessa situação, tanto que o principal credor Grupo Inepar é o BNDES. Longe de dizer que o financiamento público seja ruim. Ele é complementar e não principal.
Não com incentivo e dinheiro barato que vai sair dessa situação, tanto que o principal credor Grupo Inepar é o BNDES. Longe de dizer que o financiamento público seja ruim. Ele é complementar e não principal.