Pressões Nucleares sobre o Brasil
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Duvido que isso aconteça, infelizmemte devera continuar no campo da retorica, porem a esperança é a ultima que morre, então aguardemos. Quem conseguir a façanha de desarmar as ogivas das potencias nucleares ganhara o Nobel do Século.
Enquanto o mundo tiver Nukes sou 100% a favor da nossa Nuke.
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Polícia apreende 450 quilos de material radioativo no Amapá
SÃO PAULO - A Polícia Civil do Amapá apreendeu cerca de 450 quilos de uraninita, um material radioativo com o maior teor de urânio encontrado no planeta, utilizado na fabricação de armas nucleares e como fonte de energia nuclear. A uraninita estava escondida num local de difícil acesso na cidade de Serra do Navio, município a 200 quilômetros de Macapá.
O delegado Fábio Araújo disse que recebeu uma denúncia anônima que levou a polícia até a pessoa que estava guardando o material, numa mata próxima do Rio Amapari. Ele foi detido, mas depois liberado por falta de provas.
- Em janeiro, tivemos informações mais precisas de quem guardava o material - disse o delegado.
A exploração irregular do minério estava sendo investigada há quatro meses. Agora, ele investiga outros integrantes do bando, de onde foi extraído o material, qual seria o destino e quem o compraria. O delegado acredita que possa existir uma quadrilha especializada no contrabando desse material.
Esta é a segunda vez que a uraninita é apreendida no Amapá. Em 2004, a Polícia Federal já tinha encontrado quantidade desse material em Pedra Branca do Amapari.
O geólogo Antonio Feijão explica que quem armazena e manuseia esse tipo de material recebe uma carga de radioatividade.
- Se a pessoa manusear novamente, a carga de radioatividade vai se somando, o que é muito perigoso - diz ele.
O material apreendido foi encaminhado para a perícia. Depois, será levado para a Polícia Federal.
SÃO PAULO - A Polícia Civil do Amapá apreendeu cerca de 450 quilos de uraninita, um material radioativo com o maior teor de urânio encontrado no planeta, utilizado na fabricação de armas nucleares e como fonte de energia nuclear. A uraninita estava escondida num local de difícil acesso na cidade de Serra do Navio, município a 200 quilômetros de Macapá.
O delegado Fábio Araújo disse que recebeu uma denúncia anônima que levou a polícia até a pessoa que estava guardando o material, numa mata próxima do Rio Amapari. Ele foi detido, mas depois liberado por falta de provas.
- Em janeiro, tivemos informações mais precisas de quem guardava o material - disse o delegado.
A exploração irregular do minério estava sendo investigada há quatro meses. Agora, ele investiga outros integrantes do bando, de onde foi extraído o material, qual seria o destino e quem o compraria. O delegado acredita que possa existir uma quadrilha especializada no contrabando desse material.
Esta é a segunda vez que a uraninita é apreendida no Amapá. Em 2004, a Polícia Federal já tinha encontrado quantidade desse material em Pedra Branca do Amapari.
O geólogo Antonio Feijão explica que quem armazena e manuseia esse tipo de material recebe uma carga de radioatividade.
- Se a pessoa manusear novamente, a carga de radioatividade vai se somando, o que é muito perigoso - diz ele.
O material apreendido foi encaminhado para a perícia. Depois, será levado para a Polícia Federal.
"A reconquista da soberania perdida não restabelece o status quo."
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Marino escreveu:Polícia apreende 450 quilos de material radioativo no Amapá
SÃO PAULO - A Polícia Civil do Amapá apreendeu cerca de 450 quilos de uraninita, um material radioativo com o maior teor de urânio encontrado no planeta, utilizado na fabricação de armas nucleares e como fonte de energia nuclear. A uraninita estava escondida num local de difícil acesso na cidade de Serra do Navio, município a 200 quilômetros de Macapá.
O delegado Fábio Araújo disse que recebeu uma denúncia anônima que levou a polícia até a pessoa que estava guardando o material, numa mata próxima do Rio Amapari. Ele foi detido, mas depois liberado por falta de provas.
- Em janeiro, tivemos informações mais precisas de quem guardava o material - disse o delegado.
A exploração irregular do minério estava sendo investigada há quatro meses. Agora, ele investiga outros integrantes do bando, de onde foi extraído o material, qual seria o destino e quem o compraria. O delegado acredita que possa existir uma quadrilha especializada no contrabando desse material.
Esta é a segunda vez que a uraninita é apreendida no Amapá. Em 2004, a Polícia Federal já tinha encontrado quantidade desse material em Pedra Branca do Amapari.
O geólogo Antonio Feijão explica que quem armazena e manuseia esse tipo de material recebe uma carga de radioatividade.
- Se a pessoa manusear novamente, a carga de radioatividade vai se somando, o que é muito perigoso - diz ele.
O material apreendido foi encaminhado para a perícia. Depois, será levado para a Polícia Federal.
Faltava somente que os Yankes dissessem que era para o Irã... ou para os terrorista, e ai teria um pretexto (nuclear) para uma intervenção na Amazônia.
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
POLÊMICA
Urânio contamina mais poços na Bahia
Samantha Maia e Vera Saavedra Durão, de São Paulo e do Rio
Na véspera da visita de cinco técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à Indústrias Nucleares do Brasil (INB), nesta semana na cidade de Caetité, interior da Bahia, o fechamento de mais três pontos de abastecimento de água no município por contaminação radioativa trouxe mais polêmica a um assunto que já preocupa o Instituto de Gestão de Águas e Clima da Bahia (Ingá) há mais tempo. O instituto teme que a atividade industrial seja a fonte poluidora. De 2008 para cá, foram examinados 29 pontos de abastecimento de água na cidade e oito apresentaram problemas com radioatividade.
Dos três poços fechados semana passada, um era para consumo humano e dois estão dentro da unidade de beneficiamento de urânio da INB. Não há provas, no entanto, de que a mina seja a causa do problema. "Essa é a pergunta que não quer calar. O que temos é a informação de que dentro da área da INB a contaminação é muito maior do que nos outro pontos", diz o diretor-geral do Ingá, Julio Rocha.
No poço da prefeitura do povoado Barreiro, zona rural de Caetité, que abastece cerca de 15 famílias, o índice de radioatividade estava três vezes acima do padrão permitido pelo Ministério da Saúde, enquanto em um dos poços dentro do pátio da INB, para uso industrial, o índice estava 40 vezes acima do permitido.
Nesta semana sairá o resultado da análise sobre qual o minério que causou a contaminação na água dos três pontos, mas uma conclusão sobre a fonte poluidora - se é o urânio natural presente no solo ou o manipulado na mina - só poderá ser conhecida daqui a seis meses. É o prazo para serem concluídos os estudos sobre a formação do lençol freático da região, que mostrará se há ligação entre a unidade da INB e as demais áreas poluídas. Já foi realizado um estudo semelhante antes sobre outros pontos contaminados, porém, e não foi identificada uma causa. "O solo da região é rochoso, o que não permite saber quais as ligações entre os lençóis de água. Por isso estamos investindo em um mapeamento hidrogeológico de todo o aquífero", explica Wanderley Matos, diretor de monitoramento e informação do Ingá. O instituto quer que a INB financie o estudo.
Em nota divulgada na sexta-feira, a assessoria da INB descartou a responsabilidade da mina na contaminação do poço de água da comunidade de Barreiro. "O poço de Barreiro, onde as águas apresentaram maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB e, pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega lá."
Helena Beltrão, assessora do presidência da empresa, Alfredo Tranjan, disse ao Valor que o fato não vai gerar nenhum estresse por conta da visita a Caetité dos técnicos da AIEA, nesta semana. "Tudo será mostrado a eles. Não temos nada a esconder. Através do Instituto de Radiossimetria, entidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear [CNEN], do Ibama e da própria AIEA é feita uma fiscalização dos níveis de concentração de urânio no aquífero da região várias vezes ao ano", informou.
Helena diz que, por ser uma província uranífera, com grande quantidade de urânio em seu solo e subsolo, Caetité já apresentou vários casos de concentração de urânio em poços de água antes mesmo da INB se instalar por lá
Urânio contamina mais poços na Bahia
Samantha Maia e Vera Saavedra Durão, de São Paulo e do Rio
Na véspera da visita de cinco técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à Indústrias Nucleares do Brasil (INB), nesta semana na cidade de Caetité, interior da Bahia, o fechamento de mais três pontos de abastecimento de água no município por contaminação radioativa trouxe mais polêmica a um assunto que já preocupa o Instituto de Gestão de Águas e Clima da Bahia (Ingá) há mais tempo. O instituto teme que a atividade industrial seja a fonte poluidora. De 2008 para cá, foram examinados 29 pontos de abastecimento de água na cidade e oito apresentaram problemas com radioatividade.
Dos três poços fechados semana passada, um era para consumo humano e dois estão dentro da unidade de beneficiamento de urânio da INB. Não há provas, no entanto, de que a mina seja a causa do problema. "Essa é a pergunta que não quer calar. O que temos é a informação de que dentro da área da INB a contaminação é muito maior do que nos outro pontos", diz o diretor-geral do Ingá, Julio Rocha.
No poço da prefeitura do povoado Barreiro, zona rural de Caetité, que abastece cerca de 15 famílias, o índice de radioatividade estava três vezes acima do padrão permitido pelo Ministério da Saúde, enquanto em um dos poços dentro do pátio da INB, para uso industrial, o índice estava 40 vezes acima do permitido.
Nesta semana sairá o resultado da análise sobre qual o minério que causou a contaminação na água dos três pontos, mas uma conclusão sobre a fonte poluidora - se é o urânio natural presente no solo ou o manipulado na mina - só poderá ser conhecida daqui a seis meses. É o prazo para serem concluídos os estudos sobre a formação do lençol freático da região, que mostrará se há ligação entre a unidade da INB e as demais áreas poluídas. Já foi realizado um estudo semelhante antes sobre outros pontos contaminados, porém, e não foi identificada uma causa. "O solo da região é rochoso, o que não permite saber quais as ligações entre os lençóis de água. Por isso estamos investindo em um mapeamento hidrogeológico de todo o aquífero", explica Wanderley Matos, diretor de monitoramento e informação do Ingá. O instituto quer que a INB financie o estudo.
Em nota divulgada na sexta-feira, a assessoria da INB descartou a responsabilidade da mina na contaminação do poço de água da comunidade de Barreiro. "O poço de Barreiro, onde as águas apresentaram maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB e, pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega lá."
Helena Beltrão, assessora do presidência da empresa, Alfredo Tranjan, disse ao Valor que o fato não vai gerar nenhum estresse por conta da visita a Caetité dos técnicos da AIEA, nesta semana. "Tudo será mostrado a eles. Não temos nada a esconder. Através do Instituto de Radiossimetria, entidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear [CNEN], do Ibama e da própria AIEA é feita uma fiscalização dos níveis de concentração de urânio no aquífero da região várias vezes ao ano", informou.
Helena diz que, por ser uma província uranífera, com grande quantidade de urânio em seu solo e subsolo, Caetité já apresentou vários casos de concentração de urânio em poços de água antes mesmo da INB se instalar por lá
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Marino escreveu:POLÊMICA
Urânio contamina mais poços na Bahia
Samantha Maia e Vera Saavedra Durão, de São Paulo e do Rio
Na véspera da visita de cinco técnicos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à Indústrias Nucleares do Brasil (INB), nesta semana na cidade de Caetité, interior da Bahia, o fechamento de mais três pontos de abastecimento de água no município por contaminação radioativa trouxe mais polêmica a um assunto que já preocupa o Instituto de Gestão de Águas e Clima da Bahia (Ingá) há mais tempo. O instituto teme que a atividade industrial seja a fonte poluidora. De 2008 para cá, foram examinados 29 pontos de abastecimento de água na cidade e oito apresentaram problemas com radioatividade.
Dos três poços fechados semana passada, um era para consumo humano e dois estão dentro da unidade de beneficiamento de urânio da INB. Não há provas, no entanto, de que a mina seja a causa do problema. "Essa é a pergunta que não quer calar. O que temos é a informação de que dentro da área da INB a contaminação é muito maior do que nos outro pontos", diz o diretor-geral do Ingá, Julio Rocha.
No poço da prefeitura do povoado Barreiro, zona rural de Caetité, que abastece cerca de 15 famílias, o índice de radioatividade estava três vezes acima do padrão permitido pelo Ministério da Saúde, enquanto em um dos poços dentro do pátio da INB, para uso industrial, o índice estava 40 vezes acima do permitido.
Nesta semana sairá o resultado da análise sobre qual o minério que causou a contaminação na água dos três pontos, mas uma conclusão sobre a fonte poluidora - se é o urânio natural presente no solo ou o manipulado na mina - só poderá ser conhecida daqui a seis meses. É o prazo para serem concluídos os estudos sobre a formação do lençol freático da região, que mostrará se há ligação entre a unidade da INB e as demais áreas poluídas. Já foi realizado um estudo semelhante antes sobre outros pontos contaminados, porém, e não foi identificada uma causa. "O solo da região é rochoso, o que não permite saber quais as ligações entre os lençóis de água. Por isso estamos investindo em um mapeamento hidrogeológico de todo o aquífero", explica Wanderley Matos, diretor de monitoramento e informação do Ingá. O instituto quer que a INB financie o estudo.
Em nota divulgada na sexta-feira, a assessoria da INB descartou a responsabilidade da mina na contaminação do poço de água da comunidade de Barreiro. "O poço de Barreiro, onde as águas apresentaram maior concentração de urânio fica situado a seis quilômetros acima da mina da INB e, pelo caminho natural das águas, nenhum material proveniente da produção de urânio chega lá."
Helena Beltrão, assessora do presidência da empresa, Alfredo Tranjan, disse ao Valor que o fato não vai gerar nenhum estresse por conta da visita a Caetité dos técnicos da AIEA, nesta semana. "Tudo será mostrado a eles. Não temos nada a esconder. Através do Instituto de Radiossimetria, entidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear [CNEN], do Ibama e da própria AIEA é feita uma fiscalização dos níveis de concentração de urânio no aquífero da região várias vezes ao ano", informou.
Helena diz que, por ser uma província uranífera, com grande quantidade de urânio em seu solo e subsolo, Caetité já apresentou vários casos de concentração de urânio em poços de água antes mesmo da INB se instalar por lá
Ecco!! Pra mim que sou originário de Goiânia, isto tudo é uma repetição de erro..... será que temos realmente capacidade de gerir esta tecnologia nuclear???????????
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Iso é contrabando de minério, em forma bruta.
Caspo de polícia, mas que pode ser usado para acusar o Brasil de não controlar suas reservas e cumprir com acordos internacionais.
Caspo de polícia, mas que pode ser usado para acusar o Brasil de não controlar suas reservas e cumprir com acordos internacionais.
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Brasil nuclear
Merval Pereira
O fato de o chanceler Celso Amorim ter oferecido a uma plateia internacional reunida em Paris o exemplo da colaboração entre Argentina e Brasil nos anos 80 e 90 como maneira de estimular o desarmamento nuclear tem importância política dupla.
Primeiro, porque há setores dentro do governo que avaliam como um erro a política que nasceu dessa parceria, que desaguou na assinatura pelo Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em 1997, no primeiro governo de Fernando Henrique
O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, há até pouco tempo o segundo homem do Itamaraty, e hoje ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, considera que o Brasil usou o pretexto de uma aliança estratégica com a Argentina para aderir a todas as iniciativas americanas, especialmente na área militar.
Já na campanha presidencial de 2002, Lula provocou grande polêmica quando criticou a adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, e teve que voltar atrás.
O tratado vigora desde 1970, veta pesquisas para a produção de bombas atômicas, e foi assinado por 187 dos 190 países da ONU, mas ratificado por menos da metade.
Mais relevante ainda, a posição do chanceler brasileiro mostra que o Brasil, às vésperas da revisão do TNP, em maio, reforça sua posição a favor da utilização pacífica da energia nuclear.
Essa postura também o compromete, na intermediação com o Irã, a encaminhar as conversações no sentido de incluir seu programa sob observação e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Irã foi um dos primeiros a assinar o tratado, ao tempo do governo do xá Reza Pahlevi, mas, a partir da Revolução Islâmica, em 1979, passou a descumprilo e a ser alvo de pressões internacionais.
O chanceler Celso Amorim teve um encontro na semana passada, durante o Fórum Econômico Mundial, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, no mesmo dia em que o governo de Mahmoud Ahmadinejad fuzilava dois oposicionistas que participaram dos protestos contra sua eleição, protestos que o presidente Lula minimizou na ocasião, comparando a uma briga entre torcedores de times diferentes.
O governo brasileiro insiste em que está conversando com o Irã para tentar uma saída negociada, mas o apoio ao governo de Ahmadinejad retira do Irã o peso do isolamento.
A disposição do Irã, anunciada ontem, de aceitar enriquecer seu urânio fora do país, como propôs a AIEA, pode ser um primeiro passo para um acordo.
Ressaltar o desarmamento neste momento é importante, porque ele é um dos sustentáculos do TNP, e foi superado na prática por programas nucleares de Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte.
Recentemente, o presidente Lula disse que os Estados Unidos e a Rússia só teriam moral para pedir que o Irã abdicasse de seu programa nuclear se também se desarmassem.
Com o fim da Guerra Fria, Estados Unidos e Rússia abriram negociação para a redução do arsenal nuclear e, há dez anos, na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), houve acordo sobre medidas de desarmamento nuclear pelas potências atômicas.
Os ataques terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 fizeram com que o assunto sofresse um retrocesso. O presidente Barack Obama retomou o tema no início de seu governo, defendendo um mundo sem armas nucleares.
Na reunião em Paris da Global Zero, ONG que defende a eliminação progressiva e controlada dos arsenais nucleares, Amorim disse que a decisão de Brasil e Argentina criarem agências nucleares bilaterais que trabalhavam com a AIEA pode “servir de inspiração para outros países”.
O Brasil sempre foi a favor do desarmamento nuclear, e incluímos na Constituição de 1988 que o país não terá armas nucleares. Mas, como um dos poucos países do mundo a controlar o ciclo completo do combustível nuclear, o país não está disposto a assinar cláusulas adicionais ao TNP, como querem os Estados Unidos.
Poucos países dominam a técnica de enriquecer urânio: EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra, além do Brasil.
A proposta de um banco internacional de urânio enriquecido, que seria utilizado por países com problemas tão distintos quanto o Irã e Brasil, não é aceita pelo governo brasileiro, que considera que todos os compromissos internacionais já foram assumidos.
Já tivemos problemas com a Agência Internacional de Energia Atômica, que, anos atrás, já no governo Lula, quis impor novas regras para a inspeção em Resende, uma fábrica semi-industrial que em alguns anos, deve produzir o urânio necessário para o funcionamento das usinas de Angra.
O plano, já anunciado, de construir mais oito usinas nucleares vai aumentar a necessidade de produção de urânio enriquecido.
As instalações de Aramar hoje estão sob salvaguarda da AIEA, e as de Resende estão sendo negociadas.
Lá se utiliza uma centrífuga especial para enriquecimento de urânio, que o governo brasileiro protege por ser uma técnica pioneira.
A inspeção internacional é feita através de amostragem do urânio que entra na fábrica e sai, sem que os inspetores possam ver a centrífuga.
O Brasil tema sexta maior reserva de urânio do mundo, e quer participar do mercado internacional de urânio enriquecido, que é muito rentável.
E incluiu recentemente no Plano Nacional de Defesa a decisão de dominar o conhecimento e a tecnologia nucleares, como parte de seu programa de desenvolvimento estratégico
Merval Pereira
O fato de o chanceler Celso Amorim ter oferecido a uma plateia internacional reunida em Paris o exemplo da colaboração entre Argentina e Brasil nos anos 80 e 90 como maneira de estimular o desarmamento nuclear tem importância política dupla.
Primeiro, porque há setores dentro do governo que avaliam como um erro a política que nasceu dessa parceria, que desaguou na assinatura pelo Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), em 1997, no primeiro governo de Fernando Henrique
O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, há até pouco tempo o segundo homem do Itamaraty, e hoje ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, considera que o Brasil usou o pretexto de uma aliança estratégica com a Argentina para aderir a todas as iniciativas americanas, especialmente na área militar.
Já na campanha presidencial de 2002, Lula provocou grande polêmica quando criticou a adesão do Brasil ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, e teve que voltar atrás.
O tratado vigora desde 1970, veta pesquisas para a produção de bombas atômicas, e foi assinado por 187 dos 190 países da ONU, mas ratificado por menos da metade.
Mais relevante ainda, a posição do chanceler brasileiro mostra que o Brasil, às vésperas da revisão do TNP, em maio, reforça sua posição a favor da utilização pacífica da energia nuclear.
Essa postura também o compromete, na intermediação com o Irã, a encaminhar as conversações no sentido de incluir seu programa sob observação e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Irã foi um dos primeiros a assinar o tratado, ao tempo do governo do xá Reza Pahlevi, mas, a partir da Revolução Islâmica, em 1979, passou a descumprilo e a ser alvo de pressões internacionais.
O chanceler Celso Amorim teve um encontro na semana passada, durante o Fórum Econômico Mundial, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, no mesmo dia em que o governo de Mahmoud Ahmadinejad fuzilava dois oposicionistas que participaram dos protestos contra sua eleição, protestos que o presidente Lula minimizou na ocasião, comparando a uma briga entre torcedores de times diferentes.
O governo brasileiro insiste em que está conversando com o Irã para tentar uma saída negociada, mas o apoio ao governo de Ahmadinejad retira do Irã o peso do isolamento.
A disposição do Irã, anunciada ontem, de aceitar enriquecer seu urânio fora do país, como propôs a AIEA, pode ser um primeiro passo para um acordo.
Ressaltar o desarmamento neste momento é importante, porque ele é um dos sustentáculos do TNP, e foi superado na prática por programas nucleares de Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte.
Recentemente, o presidente Lula disse que os Estados Unidos e a Rússia só teriam moral para pedir que o Irã abdicasse de seu programa nuclear se também se desarmassem.
Com o fim da Guerra Fria, Estados Unidos e Rússia abriram negociação para a redução do arsenal nuclear e, há dez anos, na Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), houve acordo sobre medidas de desarmamento nuclear pelas potências atômicas.
Os ataques terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 fizeram com que o assunto sofresse um retrocesso. O presidente Barack Obama retomou o tema no início de seu governo, defendendo um mundo sem armas nucleares.
Na reunião em Paris da Global Zero, ONG que defende a eliminação progressiva e controlada dos arsenais nucleares, Amorim disse que a decisão de Brasil e Argentina criarem agências nucleares bilaterais que trabalhavam com a AIEA pode “servir de inspiração para outros países”.
O Brasil sempre foi a favor do desarmamento nuclear, e incluímos na Constituição de 1988 que o país não terá armas nucleares. Mas, como um dos poucos países do mundo a controlar o ciclo completo do combustível nuclear, o país não está disposto a assinar cláusulas adicionais ao TNP, como querem os Estados Unidos.
Poucos países dominam a técnica de enriquecer urânio: EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra, além do Brasil.
A proposta de um banco internacional de urânio enriquecido, que seria utilizado por países com problemas tão distintos quanto o Irã e Brasil, não é aceita pelo governo brasileiro, que considera que todos os compromissos internacionais já foram assumidos.
Já tivemos problemas com a Agência Internacional de Energia Atômica, que, anos atrás, já no governo Lula, quis impor novas regras para a inspeção em Resende, uma fábrica semi-industrial que em alguns anos, deve produzir o urânio necessário para o funcionamento das usinas de Angra.
O plano, já anunciado, de construir mais oito usinas nucleares vai aumentar a necessidade de produção de urânio enriquecido.
As instalações de Aramar hoje estão sob salvaguarda da AIEA, e as de Resende estão sendo negociadas.
Lá se utiliza uma centrífuga especial para enriquecimento de urânio, que o governo brasileiro protege por ser uma técnica pioneira.
A inspeção internacional é feita através de amostragem do urânio que entra na fábrica e sai, sem que os inspetores possam ver a centrífuga.
O Brasil tema sexta maior reserva de urânio do mundo, e quer participar do mercado internacional de urânio enriquecido, que é muito rentável.
E incluiu recentemente no Plano Nacional de Defesa a decisão de dominar o conhecimento e a tecnologia nucleares, como parte de seu programa de desenvolvimento estratégico
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
O Irã deveria ter a bomba. O Brasil também
Fonte: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=26949
Fonte: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=26949
Faz parte do “pensamento convencional” dos colonizados entreter dois sentimentos em relação à bomba atômica.
O primeiro, conjuntural, critica o programa nuclear do Irã e entra na última fila do coro de protestos americanos, como se fosse fazer alguma diferença.
É uma questão de hábito: o alinhamento automático aos interesses dos Estados Unidos.
Ou a “diplomacia da dependência” do Governo do Farol de Alexandria.
Foram os dois presidentes neoliberais, Fernando Collor e Fernando Henrique, que, abruptamente, e da forma mais servil, romperam com um dos mais sólidos principios da diplomacia brasileira de Vargas aos militares: não assinar o Tratado de Não-Proliferaçao das Armas Nucleares.
Porque o Brasil, até os dois Fernando, não aceitou decretar a sua minoridade tecnológica, com o congelamento do poder nuclear.
Os dois Fernandos jogaram no lixo uma longa tradição que embaixadores como Araujo Castro, já no Governo do grande presidente João Goulart, ajudaram a construir.
Depois a China, a Índia e o Paquistão detonaram a bomba e o Brasil fez papel de bobo.
Agora, os colonizados brasileiros preferiam que o Brasil comprasse caças dos Estados Unidos e da Suécia, exatamente porque pretendem que o Brasil fique no banco dos reservas.
Pois, o Conversa Afiada acha que incontornável o Brasil controlar a tecnologia e ter a bomba propriamente dita.
Como acha muito saudável que o Irã tenha a bomba.
Essa é exatamente a opinião de Adam B. Lowther, um analista para assuntos de defesa, do Instituto de Pesquisa da Força Aérea Americana.
Nesta terça-feira, ele escreveu na página de Opinião do New York Times, um artigo com o título “Iran’s two-edged bomb”.
Ou, os dois lados da bomba do Irã.
Lowther acha que o Irã deveria ter a bomba por alguns motivos:
Os Estados Unidos poderiam finalmente derrotar a Al Qaeda.
Como ?
Um Irã com a bomba se tornaria a maior ameaça na região, e os Estados Unidos poderiam oferecer um “guarda-chuva nuclear” enquanto impõem uma reforma os países árabes autocráticos da região.
Com esse “guarda-chuva nuclear”, os Estados Unidos podem, finalmente, desmontar o oligopólio dos países produtores de petróleo no Oriente Médio.
Israelenses e os Palestinos ficariam assustados com a bomba do Irã e poderiam, a com a ajuda americana, chegar, finalmente , a um acordo.
Os Estados Unidos venderiam tecnologia e equipamento militar aos aliados na região por causa a bomba do Irã, o que ajudaria a combalida indústria armamentista americana.
Como se vê, americanos costumam defender os interesses nacionais americanos.
Com mais talento, porém, que os colonizados brasileiros.
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: a China não deixa que os Estados Unidos imponham sanções econômicas ao Irã. A China tem muito a vender ao Irã e também costuma defender o interesse nacional da China.
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Meu Deus, como tem animal escrevendo em nossos jornais. =====================================================
Elípticas nucleares
O Brasil por acaso acredita que a nuclearização do Irã abriria espaço para o colapso do tratado de
não proliferação, permitindo-nos avançar no domínio da tecnologia para fins militares?
Por Alon Feuerwerker
Chegou a hora de o governo brasileiro esclarecer sua posição sobre se convém ao mundo o Irã
possuir armas nucleares. Se a resposta é “não”, basta dizer. Se é “sim”, a coisa pode ser afirmada até
com mais sutileza, só reforçando o direito de todas as nações à soberania nesse campo. Então, com
tudo esclarecido, vai ser possível debater onde afinal entra o interesse brasileiro na história.
Até agora é um tema conduzido elipticamente pela nossa diplomacia e pelo presidente da
República. O mais importante é omitido. E talvez não pudesse ser mesmo de outro jeito. Oficialmente, o
Brasil rejeita que as pressões sobre o Irã cheguem ao limite das sanções. Defende o diálogo.
Ótimo. Mas diálogo com que objetivo? Isso não está claro.
Luiz Inácio Lula da Silva tem dito também, direta ou obliquamente, ele próprio ou pela palavra de
outros, que países já atômicos não devem meter o bedelho na vida alheia, pois lhes faltaria moral para
tanto. É uma defesa do “sim” como resposta à questão que abre esta coluna, e exatamente com o
argumento da soberania.
Talvez o governo brasileiro acredite que um Irã nuclear é necessário para desbloquear a
emergência do Estado palestino, sem pré-condições impostas por Israel ou pelos Estados Unidos. É a
posição, entre outros, do Hamas e do Hezbollah. Mas enfrenta feroz resistência entre a ampla maioria
dos árabes, pois daria a Teerã a vantagem estratégica capaz de desequilibrar o jogo na região.
Possivelmente Israel teria como defender-se no novo contexto. Os outros vizinhos do Irã, não.
Talvez o Itamaraty considere que um arsenal nuclear iraniano poderia enfraquecer a posição
relativa dos Estados Unidos no Oriente Médio, abrindo espaço ao Brasil como potência planetária
emergente, ainda mais por sermos interlocutor privilegiado daquela república islâmica.
O governo Lula tem insistido para ser convidado à mesa nas discussões (hoje bloqueadas) entre
israelenses e palestinos, mas nosso poder de fogo é relativo, menor ainda que o da Europa. Quem dá as
cartas na barafunda levantina são os Estados Unidos, a Rússia e Israel. Possivelmente pela
superioridade militar.
O Brasil por acaso acredita que a nuclearização do Irã abriria espaço para o colapso do Tratado
de Não Proliferação de Armas Nucleares, de que somos signatários, permitindo-nos avançar no domínio
da tecnologia para fins militares? A pergunta é um pouco longa mas necessária. É isso? Nós queremos
ter a bomba? O governo está em busca de motivos, ou pretextos, para tomar as providências jurídicas e
materiais para tal?
Para que nós precisaríamos mesmo da bomba? Para construir uma hegemonia hemisférica à
margem da área de influência dos Estados Unidos? Pois para atacar a Argentina é que não vai ser. Não
temos qualquer contencioso com ela ou outros vizinhos. Pelo menos não contenciosos que demandem
solução militar. E, se um dia possuirmos artefatos nucleares, certamente os colegas da América do Sul
correrão a neutralizar a vantagem brasileira. O que poderia se dar por dois caminhos. Eles próprios
possuindo a bomba ou então permitindo aos Estados Unidos uma presença de dissuasão aqui ao lado.
A América do Sul é um continente privilegiado, livre do terrorismo e de todo tipo de arma de
destruição em massa. É o cenário perfeito para a expansão de um “soft power” como o Brasil, baseado
na pujança relativa da economia, na proximidade da língua, na nossa herança histórica desprovida de
ímpetos coloniais.
Será o caso de mudar a abordagem? Se for, o governo poderia explicar por quê?
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Elípticas nucleares
O Brasil por acaso acredita que a nuclearização do Irã abriria espaço para o colapso do tratado de
não proliferação, permitindo-nos avançar no domínio da tecnologia para fins militares?
Por Alon Feuerwerker
Chegou a hora de o governo brasileiro esclarecer sua posição sobre se convém ao mundo o Irã
possuir armas nucleares. Se a resposta é “não”, basta dizer. Se é “sim”, a coisa pode ser afirmada até
com mais sutileza, só reforçando o direito de todas as nações à soberania nesse campo. Então, com
tudo esclarecido, vai ser possível debater onde afinal entra o interesse brasileiro na história.
Até agora é um tema conduzido elipticamente pela nossa diplomacia e pelo presidente da
República. O mais importante é omitido. E talvez não pudesse ser mesmo de outro jeito. Oficialmente, o
Brasil rejeita que as pressões sobre o Irã cheguem ao limite das sanções. Defende o diálogo.
Ótimo. Mas diálogo com que objetivo? Isso não está claro.
Luiz Inácio Lula da Silva tem dito também, direta ou obliquamente, ele próprio ou pela palavra de
outros, que países já atômicos não devem meter o bedelho na vida alheia, pois lhes faltaria moral para
tanto. É uma defesa do “sim” como resposta à questão que abre esta coluna, e exatamente com o
argumento da soberania.
Talvez o governo brasileiro acredite que um Irã nuclear é necessário para desbloquear a
emergência do Estado palestino, sem pré-condições impostas por Israel ou pelos Estados Unidos. É a
posição, entre outros, do Hamas e do Hezbollah. Mas enfrenta feroz resistência entre a ampla maioria
dos árabes, pois daria a Teerã a vantagem estratégica capaz de desequilibrar o jogo na região.
Possivelmente Israel teria como defender-se no novo contexto. Os outros vizinhos do Irã, não.
Talvez o Itamaraty considere que um arsenal nuclear iraniano poderia enfraquecer a posição
relativa dos Estados Unidos no Oriente Médio, abrindo espaço ao Brasil como potência planetária
emergente, ainda mais por sermos interlocutor privilegiado daquela república islâmica.
O governo Lula tem insistido para ser convidado à mesa nas discussões (hoje bloqueadas) entre
israelenses e palestinos, mas nosso poder de fogo é relativo, menor ainda que o da Europa. Quem dá as
cartas na barafunda levantina são os Estados Unidos, a Rússia e Israel. Possivelmente pela
superioridade militar.
O Brasil por acaso acredita que a nuclearização do Irã abriria espaço para o colapso do Tratado
de Não Proliferação de Armas Nucleares, de que somos signatários, permitindo-nos avançar no domínio
da tecnologia para fins militares? A pergunta é um pouco longa mas necessária. É isso? Nós queremos
ter a bomba? O governo está em busca de motivos, ou pretextos, para tomar as providências jurídicas e
materiais para tal?
Para que nós precisaríamos mesmo da bomba? Para construir uma hegemonia hemisférica à
margem da área de influência dos Estados Unidos? Pois para atacar a Argentina é que não vai ser. Não
temos qualquer contencioso com ela ou outros vizinhos. Pelo menos não contenciosos que demandem
solução militar. E, se um dia possuirmos artefatos nucleares, certamente os colegas da América do Sul
correrão a neutralizar a vantagem brasileira. O que poderia se dar por dois caminhos. Eles próprios
possuindo a bomba ou então permitindo aos Estados Unidos uma presença de dissuasão aqui ao lado.
A América do Sul é um continente privilegiado, livre do terrorismo e de todo tipo de arma de
destruição em massa. É o cenário perfeito para a expansão de um “soft power” como o Brasil, baseado
na pujança relativa da economia, na proximidade da língua, na nossa herança histórica desprovida de
ímpetos coloniais.
Será o caso de mudar a abordagem? Se for, o governo poderia explicar por quê?
"A reconquista da soberania perdida não restabelece o status quo."
Barão do Rio Branco
Barão do Rio Branco
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Sanções contra Irã não terão resultado, diz Amorim
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que novas sanções contra o Irã – que vêm sendo cogitadas por vários países, depois que Teerã anunciou que iria aumentar o porcentual de enriquecimento de seu urânio – não irão fazer o país asiático mudar de posição.
“É preciso que haja um diálogo direto. O Brasil está pronto a ajudar nesse diálogo, mas evidentemente tem de haver uma disposição das partes principais. Agora, nós não acreditamos que sanções vão ter resultados”, disse o chanceler em Brasília.
O ministro destacou que o Irã é um país “importante, tem uma diversidade econômica grande” e que o prejuízo “como sempre é para os mais pobres, mais fracos”.
A comunidade internacional está discutindo novas sanções contra o Irã desde o anúncio de que o país iria enriquecer urânio a 20% - processo iniciado nesta terça-feira.
Até agora o Irã enriquecia urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento de um reator nuclear de Teerã, capaz de produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em pelo menos 95%.
Diálogo
Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países com vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.
Na semana passada, Ahmadinejad afirmou que o Irã não teria "nenhum problema" se a maior parte de seus estoques de urânio fosse mantido no exterior por vários meses antes de ser enviado de volta na forma de bastões de combustível nuclear.
Essa era a essência de uma proposta apresentada a Teerã para resolver o impasse sobre seu programa nuclear, mas até então acreditava-se que o Irã vinha rejeitando a ideia.
Vários países reagiram com cautela ao anúncio feito por Ahmadinejad e afirmaram que o presidente deveria informar à AIEA se estava realmente aceitando o acordo.
“Acho que o que o Ahmadinejad falou publicamente vai de encontro ao que propôs a AIEA, mas é preciso um esforço para checar. A não ser que, por outras razões, que não vou discutir, achem que de qualquer maneira é melhor aplicar sanções (...). Mas não creio que isso trará bons resultados”, disse Amorim, criticando a falta de diálogo.
“Não adianta fazer uma proposta e ficar parado, esperando esperar que a outra parte chegue exatamente outro chegue exatamente no que você propôs”, disse o ministro.
'Radicalizações'
Também nesta terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reforçou o discurso afinado do governo brasileiro sobre a questão nuclear iraniana e voltou a defender o diálogo com o Irã.
Jobim criticou o que chamou de “radicalizações” e sinalizou que o Brasil poderá manter o apoio ao Irã. “O Brasil não é contra ninguém. Nós temos a tradição de resolver as coisas no diálogo”.
Questionado se o Brasil deveria comprar a briga em favor do Irã, o ministro rebateu: “Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós”.
Apesar das mudanças em seu programa nuclear, o país aposta na manutenção do apoio brasileiro.
Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que cabe à AIEA inspecionar o programa nuclear de seu país e que o presidente Mahmoud Ahmadinejad não quer fechar as portas às negociações para a compra de combustíveis de outros países.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticia ... o_np.shtml
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que novas sanções contra o Irã – que vêm sendo cogitadas por vários países, depois que Teerã anunciou que iria aumentar o porcentual de enriquecimento de seu urânio – não irão fazer o país asiático mudar de posição.
“É preciso que haja um diálogo direto. O Brasil está pronto a ajudar nesse diálogo, mas evidentemente tem de haver uma disposição das partes principais. Agora, nós não acreditamos que sanções vão ter resultados”, disse o chanceler em Brasília.
O ministro destacou que o Irã é um país “importante, tem uma diversidade econômica grande” e que o prejuízo “como sempre é para os mais pobres, mais fracos”.
A comunidade internacional está discutindo novas sanções contra o Irã desde o anúncio de que o país iria enriquecer urânio a 20% - processo iniciado nesta terça-feira.
Até agora o Irã enriquecia urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento de um reator nuclear de Teerã, capaz de produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em pelo menos 95%.
Diálogo
Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países com vagas permanentes no Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.
Na semana passada, Ahmadinejad afirmou que o Irã não teria "nenhum problema" se a maior parte de seus estoques de urânio fosse mantido no exterior por vários meses antes de ser enviado de volta na forma de bastões de combustível nuclear.
Essa era a essência de uma proposta apresentada a Teerã para resolver o impasse sobre seu programa nuclear, mas até então acreditava-se que o Irã vinha rejeitando a ideia.
Vários países reagiram com cautela ao anúncio feito por Ahmadinejad e afirmaram que o presidente deveria informar à AIEA se estava realmente aceitando o acordo.
“Acho que o que o Ahmadinejad falou publicamente vai de encontro ao que propôs a AIEA, mas é preciso um esforço para checar. A não ser que, por outras razões, que não vou discutir, achem que de qualquer maneira é melhor aplicar sanções (...). Mas não creio que isso trará bons resultados”, disse Amorim, criticando a falta de diálogo.
“Não adianta fazer uma proposta e ficar parado, esperando esperar que a outra parte chegue exatamente outro chegue exatamente no que você propôs”, disse o ministro.
'Radicalizações'
Também nesta terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, reforçou o discurso afinado do governo brasileiro sobre a questão nuclear iraniana e voltou a defender o diálogo com o Irã.
Jobim criticou o que chamou de “radicalizações” e sinalizou que o Brasil poderá manter o apoio ao Irã. “O Brasil não é contra ninguém. Nós temos a tradição de resolver as coisas no diálogo”.
Questionado se o Brasil deveria comprar a briga em favor do Irã, o ministro rebateu: “Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós”.
Apesar das mudanças em seu programa nuclear, o país aposta na manutenção do apoio brasileiro.
Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, disse que cabe à AIEA inspecionar o programa nuclear de seu país e que o presidente Mahmoud Ahmadinejad não quer fechar as portas às negociações para a compra de combustíveis de outros países.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticia ... o_np.shtml
- Sterrius
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
“Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós”.
Que que diabos ele ta fazendo no cargo então
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- Marino
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
PROGRAMA NUCLEAR
Ministro critica tratado nuclear às vésperas de revisão
MARTA SALOMON - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao mesmo tempo em que resiste a sanções ao Irã por seu programa nuclear, o governo
brasileiro engrossa críticas ao TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear), a menos de três meses da
conferência de exame do acordo, em Nova York.
Os gestos fazem parte de um único movimento de reação às pressões de potências que dispõem
de bombas nucleares contra países que desenvolvem a tecnologia nuclear, avalia o ministro Samuel
Pinheiro Guimarães (Assuntos Estratégicos), que assumirá em breve o comando do grupo interministerial
encarregado do programa nuclear brasileiro.
"O TNP não é apenas um tratado de não proliferação, é um tratado de desarmamento. As
potências nuclearmente armadas se comprometeram a se engajar no desarmamento completo e não o
fizeram. Mais do que isso: possivelmente aumentaram o seu potencial de destruição", disse à Folha.
Expoente da ala antiamericana do governo e ex-secretário-geral do Itamaraty, Guimarães diz que
o Brasil não é um ator coadjuvante no debate nuclear mundial: "O Brasil é 1 dos 3 países do mundo -ao
lado da Rússia e dos EUA- que têm reservas de urânio e tecnologia para enriquecer".
Dono da sexta maior reserva de urânio conhecida, o Brasil tem meta de dominar a tecnologia de
enriquecimento em escala industrial até 2014.
A resistência a inspeções mais amplas e sem aviso prévio da AIEA (Agência Internacional de
Energia Atômica) está expressa na Estratégia Nacional de Defesa, de dezembro de 2008. O documento
deixa claro que o país não aceitará acréscimos ao TNP que ampliem restrições a países que
desenvolvam tecnologia nuclear.
"O protocolo adicional prevê inclusive inspeção sem razão, sem motivo, sem aviso, em qualquer
parte do território brasileiro. Isso não convém a países que têm a tecnologia de enriquecimento de
urânio", diz ele. As centrífugas brasileiras usam eletromagnetismo para girar em seus eixos, tecnologia
considerada inovadora que reduz o desgaste das peças.
Representará o Brasil na conferência o embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares. Concluído em
1968, o TNP entrou em vigor no Brasil apenas em 1998, sob o governo Fernando Henrique Cardoso.
Ministro critica tratado nuclear às vésperas de revisão
MARTA SALOMON - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Ao mesmo tempo em que resiste a sanções ao Irã por seu programa nuclear, o governo
brasileiro engrossa críticas ao TNP (Tratado de Não Proliferação Nuclear), a menos de três meses da
conferência de exame do acordo, em Nova York.
Os gestos fazem parte de um único movimento de reação às pressões de potências que dispõem
de bombas nucleares contra países que desenvolvem a tecnologia nuclear, avalia o ministro Samuel
Pinheiro Guimarães (Assuntos Estratégicos), que assumirá em breve o comando do grupo interministerial
encarregado do programa nuclear brasileiro.
"O TNP não é apenas um tratado de não proliferação, é um tratado de desarmamento. As
potências nuclearmente armadas se comprometeram a se engajar no desarmamento completo e não o
fizeram. Mais do que isso: possivelmente aumentaram o seu potencial de destruição", disse à Folha.
Expoente da ala antiamericana do governo e ex-secretário-geral do Itamaraty, Guimarães diz que
o Brasil não é um ator coadjuvante no debate nuclear mundial: "O Brasil é 1 dos 3 países do mundo -ao
lado da Rússia e dos EUA- que têm reservas de urânio e tecnologia para enriquecer".
Dono da sexta maior reserva de urânio conhecida, o Brasil tem meta de dominar a tecnologia de
enriquecimento em escala industrial até 2014.
A resistência a inspeções mais amplas e sem aviso prévio da AIEA (Agência Internacional de
Energia Atômica) está expressa na Estratégia Nacional de Defesa, de dezembro de 2008. O documento
deixa claro que o país não aceitará acréscimos ao TNP que ampliem restrições a países que
desenvolvam tecnologia nuclear.
"O protocolo adicional prevê inclusive inspeção sem razão, sem motivo, sem aviso, em qualquer
parte do território brasileiro. Isso não convém a países que têm a tecnologia de enriquecimento de
urânio", diz ele. As centrífugas brasileiras usam eletromagnetismo para girar em seus eixos, tecnologia
considerada inovadora que reduz o desgaste das peças.
Representará o Brasil na conferência o embaixador Luiz Filipe de Macedo Soares. Concluído em
1968, o TNP entrou em vigor no Brasil apenas em 1998, sob o governo Fernando Henrique Cardoso.
"A reconquista da soberania perdida não restabelece o status quo."
Barão do Rio Branco
Barão do Rio Branco
- Makenshi
- Intermediário
- Mensagens: 133
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- Localização: Feira de Santana-BA
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Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
30 anos de resistência, e veio esse lazarento abrir as pernas... só podia ser ele mesmo. Pior que FHC só o agourento do Carlos Lacerda (aquele que pentelhou Vargas).Concluído em
1968, o TNP entrou em vigor no Brasil apenas em 1998, sob o governo Fernando Henrique Cardoso.

Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Lula diz que não deve satisfações aos EUA
Presidente garante que interesse no Irã é comercial e, em Brasília, Amorim prepara visita de Hillary Clinton
Eliane Oliveira e Luiza Damé*
BRASÍLIA E SAN SALVADOR. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não vai aceitar interferência dos Estados Unidos nas relações entre o Brasil e o Irã. Em visita a El Salvador, Lula disse que os EUA não vão decidir quais países o presidente brasileiro pode ou não visitar. Lula tem viagem a Teerã agendada para maio.
- Os EUA nunca me pediram para viajarem para qualquer país, não têm que prestar contas a mim. Eles visitam quem querem e eu visito quem quero, dentro do respeito soberano de cada país. Não vejo nenhum problema em visitar o Irã. Não terei que prestar contas a ninguém, a não ser ao povo brasileiro - disse Lula.
Lula, que é contra as sanções ao Irã, insistiu que o interesse do Brasil no país é comercial. O governo americano vem tentando mudar a posição brasileira - tema que deve ser tratado com a secretária de Estado, Hillary Clinton, na quarta-feira em Brasília.
Numa mensagem que agradou ao Itamaraty, em Brasília, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, William Burns, afirmou que seu país quer chegar a um entendimento com a Rússia sobre a redução do número de ogivas e ratificar no Senado americano o Tratado de Interdição Completa de Testes Nucleares (CTBT, sigla em inglês) antes da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), marcada para maio, em Nova York.
A declaração tenta mostrar ao Brasil que os EUA estão avançando na questão do desarmamento e esperam, do lado brasileiro, uma mudança na posição inflexível de condenar as sanções ao Irã.
O impasse quanto aos iranianos foi tratado com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Segundo assessores, houve "uma troca de impressões" e Amorim lembrou que o Brasil sempre foi favorável à não-proliferação de armas atômicas.
EUA querem inspeções na usina de Resende
Os americanos aguardam, nas próximas semanas, a publicação do "Nuclear Posture Review" (NPR), documento que relaciona o uso de armas nucleares na segurança dos EUA. O último NPR, de 2002, colocava esse tipo de arma como uma entre as diversas opções de defesa. O Brasil espera que seja reduzida a ênfase nuclear e que os EUA abram mão ao direito de "primeiro uso", só usando esse recurso se for ameaçado.
Segundo um alto funcionário brasileiro, os EUA também tentam pressionar o Brasil a assinar um protocolo que permita inspeções mais intrusivas na usina de enriquecimento de urânio de Resende. O Brasil sempre se recusou, e Burns, cuidadosamente, evitou falar sobre o tema.
Sobre a América Latina, Burns disse que os EUA são a favor da reforma na Organização dos Estados Americanos (OEA), para produzir resultados concretos.
A visita de Hillary ao Brasil foi bastante discutida. Será assinada uma declaração criando um mecanismo abrangente de cooperação em vários setores até a junção democracia-desenvolvimento. Na prática, os dois países ajudariam terceiros a se desenvolverem, fortalecendo a democracia. Honduras, Cuba e Haiti são alguns exemplos.
* Enviada especial
http://www.exercito.gov.br/resenha/
Presidente garante que interesse no Irã é comercial e, em Brasília, Amorim prepara visita de Hillary Clinton
Eliane Oliveira e Luiza Damé*
BRASÍLIA E SAN SALVADOR. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não vai aceitar interferência dos Estados Unidos nas relações entre o Brasil e o Irã. Em visita a El Salvador, Lula disse que os EUA não vão decidir quais países o presidente brasileiro pode ou não visitar. Lula tem viagem a Teerã agendada para maio.
- Os EUA nunca me pediram para viajarem para qualquer país, não têm que prestar contas a mim. Eles visitam quem querem e eu visito quem quero, dentro do respeito soberano de cada país. Não vejo nenhum problema em visitar o Irã. Não terei que prestar contas a ninguém, a não ser ao povo brasileiro - disse Lula.
Lula, que é contra as sanções ao Irã, insistiu que o interesse do Brasil no país é comercial. O governo americano vem tentando mudar a posição brasileira - tema que deve ser tratado com a secretária de Estado, Hillary Clinton, na quarta-feira em Brasília.
Numa mensagem que agradou ao Itamaraty, em Brasília, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos dos EUA, William Burns, afirmou que seu país quer chegar a um entendimento com a Rússia sobre a redução do número de ogivas e ratificar no Senado americano o Tratado de Interdição Completa de Testes Nucleares (CTBT, sigla em inglês) antes da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), marcada para maio, em Nova York.
A declaração tenta mostrar ao Brasil que os EUA estão avançando na questão do desarmamento e esperam, do lado brasileiro, uma mudança na posição inflexível de condenar as sanções ao Irã.
O impasse quanto aos iranianos foi tratado com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Segundo assessores, houve "uma troca de impressões" e Amorim lembrou que o Brasil sempre foi favorável à não-proliferação de armas atômicas.
EUA querem inspeções na usina de Resende
Os americanos aguardam, nas próximas semanas, a publicação do "Nuclear Posture Review" (NPR), documento que relaciona o uso de armas nucleares na segurança dos EUA. O último NPR, de 2002, colocava esse tipo de arma como uma entre as diversas opções de defesa. O Brasil espera que seja reduzida a ênfase nuclear e que os EUA abram mão ao direito de "primeiro uso", só usando esse recurso se for ameaçado.
Segundo um alto funcionário brasileiro, os EUA também tentam pressionar o Brasil a assinar um protocolo que permita inspeções mais intrusivas na usina de enriquecimento de urânio de Resende. O Brasil sempre se recusou, e Burns, cuidadosamente, evitou falar sobre o tema.
Sobre a América Latina, Burns disse que os EUA são a favor da reforma na Organização dos Estados Americanos (OEA), para produzir resultados concretos.
A visita de Hillary ao Brasil foi bastante discutida. Será assinada uma declaração criando um mecanismo abrangente de cooperação em vários setores até a junção democracia-desenvolvimento. Na prática, os dois países ajudariam terceiros a se desenvolverem, fortalecendo a democracia. Honduras, Cuba e Haiti são alguns exemplos.
* Enviada especial
http://www.exercito.gov.br/resenha/
Re: Pressões Nucleares sobre o Brasil
Essa frase tem muito mais implicações do que aparenta numa primeira leitura.“Não sei se seria a favor do Irã ou a favor de nós”.