Vinicius Pimenta escreveu:Interessante o conceito que vem sendo passado aqui sobre os helicópteros. Mais do que multirole, estão colocando-os como swing-role. Seria como se um AC-130 levasse pára-quedistas numa mesma missão.
Concordo com o Orestes, aliás, como podem reparar nos meus posts sobre esse assunto desde o início, sempre chamei a atenção para buscarmos saber o que a FAB quer antes de criticar essa opção. São mais de 120 páginas neste tópico. No início há críticas pelo simples fato de a FAB estar comprando helicópteros de ataque quando, segundo "conhecimento geral", esse tipo de equipamento deve ser utilizado tão somente pelo Exército, importando modelos pré-concebidos e desconsiderando características nacionais diversas.
Vou me dispor a tentar responder as perguntas do Orestes, pois acho que ninguém tentou. Não quero com isso necessariamente dizer que elas são absolutas, mas, já que foi feita a proposta, porque não aceitarmos? Após minhas respostas, certamente nosso amigo Orestes dará o seu ponto de vista e assim vamos tentando construir um debate.
1) A FAB precisa de novos hélis?
Sim. Não creio haver controvérsias quanto a isso.
Vinícius, agora percebo que minha pergunta não foi bem formulada. Quando eu disse "novo" estava me referindo um héli diferente, com um novo perfil, pra outra missão ainda não desempenhada pela FAB. Ou seja, um novo héli e não um héli novo.
Posto isto, entendo que há sim muitas controvérsias quanto a novos hélis pra FAB, pois o que mais vemos aqui são os questionamentos de hélis de ataque nesta Força. Acho que os colegas e amigos vêem apenas os hélis de ataque no sentido "clássico", por isso insistirem na tese de que os mesmo devem estar em mãos do EB.
Dou minha opinião sobre a pergunta que fiz: tenho certeza absoluta que a FAB precisa de novos hélis (no sentido que disse acima) e não apenas hélis novos. Tem várias missões que a FAB ainda não realiza e lhe falta hardware adequados. Observe que não estou dizendo apenas que se deve introduzir novas doutrinas na FAB, digo que deve-se mudar (ou atualizar) as estratégias da Força, ampliar as missões e introduzir novas doutrinas, mas de forma tal que sejam diferentes das que a FAB realiza atualmente, isto é, deve-se agregar as novas ações. Por isso se necessita de um equipamento novo, diferente do atual perfil.
2) Se sim, quais os perfis dos mesmos?
Os perfis vão depender do tipo de missão que a Força estebelece como necessárias a cumprir.
Entendo que o perfil deverá ser adequado a missões ainda não empregadas pela FAB, algo novo, mas sem perder de vista o que já existe. O que já existe deve ser "modernizado" e pra isso deve-se introduzir novas doutrinas e compatíveis com os novos equipamentos que se pretende adquirir.
Com o edital dos hélis, percebe-se nitidamente que a FAB tem como objetivo ampliar o leque de missões que possui, ou seja, está introduzindo novos conceitos e missões, por isso busca um equipamento diferente do que já possui.
3) A FAB pretende alterar ou acrescentar alguns tipos de missões?
Acrescentar ao menos SEAD, que não parece ser feita hoje em dia, pelo menos não de maneira adequada. Além disso, dependendo do perfil da missão, é possível fazer escolta de uma operação C-SAR, além do tradicional COIN.
Pelo que comentei acima, o edital deixa claro que a FAB vai modernizar o atual perfil das missões e vai acrescentar novas missões, aquelas que ainda não foram impletadas na Força por falta de equipamentos e recursos.
4) Existe algum tipo de missão que a FAB ainda não realiza e que necessite de um equipamento (héli) diferente do que ela possui?
Uma questão que dependerá de variáveis de custo/benefício. A princípio, COIN e SEAD aparecem como missões que exigem aeronaves mais especializadas/capazes na missão de ataque do que as atuais.
Se existem missões que a FAB não realiza é bem provável que seja por falta de equipamentos adequados, logo é necessário que ela procure algo de acordo com suas intenções e planejamentos. Isto deixa claro que um novo héli (e não héli novo) é mais do que necessário.
5) Considerando que existe um edital na praça para a compra de novos hélis, pergunto: alguém aqui sabe claramente o motivo que levou a FAB a escolher um equipamento com o perfil dos dois hélis citados?
É difícil. Precisamos obviamente das repostas corretas das questões anteriores. O que para mim é uma certeza é que a FAB não iria comprar um equipamento por comprar.
Claramente, nem eu. Mas vou especular um pouco, acredito que FAB esteja interessada em um héli para uso quase que exclusivo para a região Norte do País, logo não se trata apenas de um héli de transporte, muito menos de ataque "clássico". Em uma guerra na região Amazônica é inconcebível a presença de MBT ou certos tipos de blindados, o héli de ataque realizariam outro tipo de missão. Nesta região a FAB precisaria de um héli robusto, com bom alcance e que possa se auto-defender e se necessário, levar alguns "combatentes".
6) Em qual TO a FAB pretende usar os tais hélis?
Qualquer um de interesse da Força, mas me parece claro que será especialmente o Amazônico, principalmente para as missões COIN.
Exato, só consigo enxergar emprego para um héli "diferente" como o solicitado no edital na região Norte do País, motivos não faltam.
7) Os dois hélis concorrentes atendem as necessidades desejadas pela FAB? (Duvido que alguém consiga responder esta pergunta sem saber responder a pergunta 5! rsrs.)
Certamente sim. Não tenho uma resposta da questão cinco, mas existe a lógica que diz que, se não atendessem, não faria sentido permanecerem na concorrência. Aliás, se helicópteros de ataque finalistas não atendessem as exigências de uma concorrência para helicópteros de ataque, seria, no mínimo, curioso.
Como disse acima, também não tenho clareza total sobre a questão 5, mas tenho clareza que a FAB procura um novo héli, diferente de tudo que já teve antes (e não é porque se trata de um héli de ataque apenas).
E concordo com você, se continuam na disputa é porque de certa forma atendem aos interesses da FAB. Vou um pouco além, o que mostra o perfil de missão que a FAB pretende com esta compra é justamente o "abandono" dos demais concorrentes logo no início do edital. A FAB não busca um héli de ataque puro, no sentido clássico da expressão e que colegas e amigos corretamente dizem que seria para o EB. Se fosse algo "clássico" os concorrentes ainda estariam competindo até hoje.
Assim, os dois hélis que ainda estão na disputa parecem atender a FAB, mas tenho a nítida sensação que o perfil desejado pela FAB foi pensado em cima do Mi-35, até porque ele difere do Mangusta em vários aspectos.
8) Estaríamos nós (pobres mortais) em condições de questionar a compra de hélis pela FAB sem conseguir responder as perguntas anteriores? Se não, todas as críticas são precipitadas e infudadas (sinto muito por chegar a esta conclusão).
Na verdade, seguindo essa linha de pensamento, comungada por mim, nós pobres mortais não estamos em condições técnicas de questionar nada. Nem mesmo de um aparente (note o aparente) desastre como foi o caso Mirage 2000C. Mas podemos, e devemos, na medida das nossas limitações, debater quaisquer compras, desde que busquemos basear nossas opiniões em algo concreto e não preferências pessoais ou achismos.
Perfeito, Vínicius, penso da mesmíssima forma. O maior problema que vi aqui nos debates foram críticas aos equipamentos em si e pesadas críticas ao fato deste tipo de equipamento ir para a FAB e não para o EB. Criticas equivocadas em minha opinião, algo do tipo, quem tem que operar caças é a FAB e não a MB. Isto tudo são conceitos antigos e equivocados, o que se tem são Forças Armadas e que por acaso são divididas no Brasil em três.
O perfil de atuação do EB no TOA é completamente diferente do que se faz no Sul e Sudeste. O TOA está mais para a FAB (na parte aérea) do que para o EB, mas isto não significa que o EB só lutará no chão com seus homens, longe disso, mas a FAB precisa agir no TOA de uma forma totalmente diferente do que vem fazendo nos últimos 30 anos. Na verdade não existe uma política estratégica clara para esta região, todas as três Forças precisam criar algo específico para o TOA e não apenas adaptar missões e doutrinas empregadas no Sul/Sudeste para aquela região.
Quando eu vejo a FAB fazendo isso, ou seja, buscando equipamentos diferentes de tudo o que já teve e voltados para empregos específicos em uma região "desamparada" de estratégias e doutrinas específicas, só posso aplaudir, pois isso significa que a Força realmente está modernizando os seus conceitos internos, está buscando a vanguarda, mas sem perder de vista a sua capacidade orçamentária. Isso é planejamento.
Sinto pelos colegas e amigos que acham que "hélis de ataque" deveriam estar no EB, estes ainda não perceberam o processo que se instala que é muito mais amplo do que os conceitos de guerra clássica que se pratica nas regiões Sul e Sudeste do País.
Se a FAB está acertando ou errando com tais medidas, não sei, isto fica a cargo do tempo, mas acho prudente não se criticar o que não se compreende, isso é mais do que precipitação.
Aguardo a réplica não só do Orestes mas de quem mais tiver interesse.
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